Diplomatas garantem que só acreanos são hostilizados na Bolívia

coletiva220213O rancor pela derrota na Revolução Acreana (11/08/1902 a 24/01/1903) seria a causa dos constantes maus tratos sofridos por presos, estudantes e agricultores do Acre em Cobija, na Bolívia. O Estado tem o único foco de tensão entre brasileiros e bolivianos em mais de 6 mil km de fronteira, segundo informaram diplomatas do Itamaraty à comissão de parlamentares da Aleac e da bancada federal que busca uma solução para os conflitos entre acreanos e bolivianos.

“Os bolivianos se relacionam muito bem com os matogrossenses e rondonienses, só os acreanos são hostilizados. Eles ainda nos tratam como inimigos”,comentou o presidente da Aleac, deputado Elson Santiago (PEN). “Nós procuramos a ajuda da diplomacia para solucionar este problema que nos incomoda muito, mas se não der certo vamos resolver do nosso jeito. Eles precisam mais do Acre do que nós deles”, afirmou o presidente.

Elson liderou a comissão de deputados que participou de duas reuniões em Brasília na última quarta-feira, 20, visando apurar não somente os problemas do presídio de Vila Busch, em Cobija, como também denúncias de estudantes e agricultores e, ainda do avanço do narcotráfico na região de fronteira.

“A Bolívia tem 16,5 mil estudantes brasileiros, dos quais 6 mil são do Acre”, informa o deputado Moisés Diniz (PCdoB), 1º vice-presidente da Mesa Diretora. “Nós apresentamos uma série de recomendações ao corpo diplomático brasileiro que abordam não apenas questões diplomáticas, mas também a econômica. Precisamos fazer uma auditoria nos empréstimos e investimentos do Brasil na Bolívia para que eles entendam que nosso país é o seu maior parceiro comercial e passem a nos tratar com mais respeito”, argumenta Moisés.

Além de Elson e Moisés, participaram da comitiva os deputados Walter Prado (PEN), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Aleac, e Major Rocha (PSDB), representando a bancada da oposição. Em Brasília, eles se reuniram pela manhã com as Comissões de Direitos Humanos e de Relações Exteriores da Câmara Federal. O encontro foi agendado pela deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB) e contou com a participação dos deputados Flaviano Melo (PMDB), Gladson Cameli (PP), Antonia Lúcia (PSC) e Taumaturgo Lima (PT), além do senador Anibal Diniz (PT).

À tarde, a comitiva se reuniu com o embaixador Ruy Nogueira, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, com quem definiu a realização de duas audiências públicas para debater os problemas. Uma das audiências será realizada em Rio Branco, Brasileia ou Epitaciolância e outra em La Paz.

Entre as recomendações levadas pela Aleac ao Itamaraty, consta a criação de um consulado brasileiro itinerante para atender os estudantes brasileiros nas universidades de Cobija, Santa Cruz de La Sierra e Cochabamba e a estruturação da Defensoria Pública da União no Acre para que possa atender os brasileiros presos no Departamento de Pando.

O documento também defende a compra de um helicóptero para a Polícia Federal do Acre e a criação de um Grupo de Trabalho, vinculado à Presidência da República, com o objetivo de elaborar e implantar políticas públicas de inclusão de jovens pobres dos dois países, dominados pelo tráfico de drogas.

João Maurício
Foto: J. Simão
Agência Aleac

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