Ex-presidente da Bolívia pede que Brasil acelere processo de asilo de senador

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

DSC_0016Brasília – No momento em que a defesa do senador boliviano Roger Pinto Molina, de 53 anos, abrigado há um ano na Embaixada do Brasil em La Paz, aguarda o julgamento de habeas corpus, o ex-presidente da Bolívia Jorge Fernando Tuto Quiroga Ramírez (2001-2002), que se define como “amigo” do parlamentar, enviou carta à presidenta Dilma Rousseff apelando para que ela interfira no processo. Na carta, Tuto destaca a relevância internacional de Dilma e pede que tome providências sobre o caso.

“Presidenta, a senhora é uma das cinco personalidades políticas mais importantes do Planeta, por isso sabemos que a situação do senador Pinto é importante para a democracia boliviana, mas um assunto que merece sua atenção pessoal”, pediu o ex-presidente na carta à Dilma, à qual a Agência Brasil teve acesso. “Pedimos somente à senhora presidenta que conclua a tarefa e restitua as garantias plenas e totais do senador Pinto, efetivando o asilo rapidamente para que o Brasil possa demonstrar ao mundo inteiro que segue como paradigma de direitos humanos.”

Tuto lembra que, no último dia 28, Pinto Molina completou um ano abrigado na embaixada em La Paz. Na carta, o ex-presidente diz que um ano é muito tempo. “Um ano asilado sem salvo-conduto é tempo demais porque é um ano ilhado sem vida, sem direitos e afastado”, ressalta.

Ele pediu asilo ao Brasil alegando ser perseguido pelo governo do presidente Evo Morales. As autoridades bolivianas negam a perseguição e dizem que o senador responde a uma série de ações judiciais que levantam suspeitas sobre sua atuação no campo político. Na carta, Tuto lembra a trajetória política de Dilma, perseguida pelo regime militar, para mencionar o caso.

O ex-presidente diz que é preciso considerar as suspeitas de parlamentares brasileiros que associam o caso de Pinto Molina com a prisão de 12 torcedores do Corinthians, acusado de envolvimento na morte do estudante Kevin Espada, de 14 anos, em fevereiro. “Usar o senador Pinto como moeda de troca para o caso dos torcedores de uma equipe de futebol demonstra um abuso contra a democracia e os convênios internacionais, cuja solução é bilateral”, ressalta.

O Supremo Tribunal Federal deve julgar nos próximos dias 12 ou 19 de junho o habeas corpus impetrado pela defesa do senador boliviano. Ontem (4), segundo o advogado Fernando Tibúrcio Peña, foram enviadas as informações da Presidência da República do Brasil sobre o caso para a Corte Suprema. A mulher e alguns parentes do senador já deixaram a Bolívia rumo ao Brasil e vivem no Acre. Uma filha do parlamentar ainda está em La Paz.

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