Há 30 anos matavam Wilson Pinheiro, em julho de 1980 com um tiro na nuca, pelas costas

Ter, 22 de Junho de 2010 20:54 MONTEZUMA CRUZ
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BRASÍLIA — Nenhum mandante no banco dos réus, nenhuma nota do partido do qual foi um dos fundadores e agora mergulhado na campanha sucessória. Até meio-dia deste 21 de junho de 2010, os 30 anos do assassinato do líder sindicalista Wilson Pinheiro passam quase em silêncio.

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Pinheiro, corajoso amazonense, fez história no Acre, ao liderar o maior sindicato de trabalhadores da Amazônia, entre o final dos anos 1970 e início dos 80 /REPRODUÇÃO DE ÁLBUM DE FAMÍLIA

Pinheiro foi morto em 21 de julho de 1980 com um tiro na nuca, pelas costas, a mando de latifundiários. Estava reunido numa sala, com outros dirigentes do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasiléia, no Acre. Além de presidente do sindicato, também presidia a Comissão Municipal do PT.

Para a compreensão da história de resistência acreana e amazônica, há diversos relatos minuciosos, cada vez mais vivos, na rede mundial de computadores. Se os assessores petistas se dessem ao cuidado de novamente apreciá-los, orientariam parlamentares a lembrar, na tribuna da Câmara e do Senado Federal, o herói de Brasiléia.

Pinheiro não era acreano, mas um amazonense. Em estudo publicado pela Fundação Perseu Abramo, o professor Francisco Dandão Pinheiro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em São Paulo, escreve:

”Uma casa de madeira sem pintura, em frente à pequena igreja da cidade, abrigava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais local. Ali o trabalho era sempre maior do que o número de funcionários e voluntários para fazê-lo. O presidente, um homem alto, pele queimada pelo sol, mãos calejadas pelo ofício de seringueiro desde os primeiros anos de vida, apreciador de cigarros fortes, incansável na sua faina despedia-se de dois companheiros e resolvia ficar mais um pouco, para resolver alguns assuntos pendentes.

“Estava jurado de morte por fazendeiros da região, mas não dava muita atenção para as ameaças. Sentia-se seguro no seu ambiente de trabalho. Meia hora depois, a confiança de que nada poderia acontecer-lhe mostrava-se vã. De costas para a rua, olhando distraidamente para um aparelho de televisão, enquanto arrumava uns últimos papéis, sentiu a dor súbita de projéteis entrando pelo corpo.

“O silêncio de Brasiléia foi quebrado por quatro tiros. Wilson Pinheiro tombava sem vida. O movimento seringueiro acreano perdia o seu primeiro grande líder. E se desencadeava, imediatamente, uma onda de violência que iria, oito anos mais tarde, mudar a história das relações entre homem e meio ambiente no Brasil”.

 

“O Sindicato era o local de trabalho dele”

BRASÍLIA — A filha Hiamar de Paiva Pinheiro, ex-vereadora pelo PCdoB em Brasiléia, prestou um depoimento no ano 2000, quando passavam 20 anos da morte do pai. Principais trechos:

“...Éramos oito filhos, sete meninas menores...”  “... Lembro de uma vez que meu pai precisou ir a um empate enfrentar pessoas armadas e não tinha sequer um canivete no bolso. Não sei dizer se ele era corajoso ou muito inocente pra fazer isso”.

“...No dicionário de meu pai não existia a palavra covardia. O pistoleiro que assassinou meu pai, sim, era covarde porque atirou pelas costas. Com certeza que se ele tivesse chegado frente à frente meu pai não teria corrido. Ele teria morrido do mesmo jeito, mas não teria corrido”.

“... foi gratificante a luta de meu pai porque levou em consideração o lado humano. Eu tenho muito respeito por essa luta, e se tivesse que voltar tudo novamente eu acharia maravilhoso” “...Quando ele não podia voltar pra casa, o sindicato era o local de trabalho e o local de morar também”

“... Uma semana antes de meu pai ser assassinado eu encontrei com ele.
Era uma segunda-feira, e na outra segunda-feira ele morreu. Ele ainda foi me deixar no caminho da escola. Eu lembro até do último filme que meu pai assistiu... (chorando) Até hoje me pergunto por que ainda não me acostumei. Já se passaram 20 anos... Mas eu não consigo, toda vez é assim.” “... Inspiro-me na luta de meu pai” “Ninguém resgata a luta de ninguém porque cada um já nasce com a sua”.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, do qual ele foi o segundo presidente, surgiu com 890 sócios-fundadores e alcançou quatro mil na época dos “empates” (movimento que impedia peões e capatazes de fazendeiros de derrubar a floresta para a formação de pastagens. Foi o maior fenômeno de organização popular amazônica. (M.C.)


 

Esquecimento, uma ferida que não cicatriza


Observada pela filha Hiamar, a viúva Terezinha Pinheiro  participa, em Rio Branco, de reunião da Confraria das Revoluções  Acreanas /MONTEZUMA CRUZ
Observada pela filha Hiamar, a viúva Terezinha Pinheiro participa, em Rio Branco, de reunião da Confraria das Revoluções Acreanas /MONTEZUMA CRUZ

 

BRASÍLIA — No Brasil é assim: o marketing de herói funciona conforme o lobby, a claque, a conveniência. Pelo visto, reconhecendo-se o seu valor, Chico Mendes teve peso mundial na conservação do verde amazônico. A família dele já foi indenizada pela União, com direito a uma sessão solene no Senado Federal em três de dezembro de 2008.

Projetaram Mendes mundialmente. Já Pinheiro, sacrificado oito anos antes, permaneceu coadjuvante de um cenário ainda não desmontado, porque lhe usurparam imagem, nome e papel histórico na organização de trabalhadores rurais e de seringueiros naqueles confins acreanos.

Por defendê-los nos seus ideais, o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, junto com o ex-sindicalista e ex-deputado federal João Maia, entre outros.

Em reconhecimento à luta de Pinheiro, o PT criou uma Fundação com o nome dele, em São Paulo, a mais de 3,6 mil quilômetros de distância do Acre. Mas a entidade deixou de existir, cedendo lugar a um vazio nesse aspecto da luta amazônica pela posse da terra.

Talvez tenha sido esse, aliado à desinformação ou ao esquecimento de militantes e parlamentares mais jovens, o motivo da omissão do partido em apoio à família Pinheiro na sua peleja judicial contra a Warner Bros. Outra explicação plausível não há. (M.C.)

 

Ativista Abrahim Farhat, um dos fundadores do PT acreano e  companheiro de Pinheiro, durante reunião com a Bancada Federal Acreana  /MONTEZUMA CRUZ
Ativista Abrahim Farhat, um dos fundadores do PT acreano e companheiro de Pinheiro, durante reunião com a Bancada Federal Acreana /MONTEZUMA CRUZ

 

 


Ação contra empresa cinematográfica no STJ

 

BRASÍLIA —A família do Wilson Pinheiro espera, com paciência redobrada, o dia em que o advogado Paulo Dinelli ingressar no Superior Tribunal de Justiça com ação de indenização no valor de R$ 4 milhões contra a empresa cinematográfica Warner Bros, pelo uso de imagem e da história do sindicalista no filme “Amazônia em chamas” (1994).

Inicialmente, o pedido entraria em abril no STJ. Houve contratempo e o ato foi adiado. Entre outras entidades, a Bancada Federal Acreana e a Confraria das Revoluções Acreanas apóiam o pleito da família. Estranho é o governo acreano não apoiar publicamente a ação reivindicatória. Para fazer o filme, a WB não consultou a família desse personagem.

“Amazônia em chamas” continua disponível nas locadoras de vídeos do Brasil e do mundo. Rodado no México, o filme ensaiou uma biografia do líder ecologista Chico Mendes, na defesa dos direitos humanos na Amazônia. E pôs Pinheiro, um negro alto, na fita, na pele de um loiro, mediano. Chapelões mexicanos substituíram as cabeças aquecidas pelo sol forte de Brasiléia e nas quais, quando muito, só cabiam bonés.

Estrelado pelo porto-riquenho Raul Julia — que morreu poucos meses depois de seu lançamento — e pela brasileira Sônia Braga, “Amazônia em chamas” surpreendeu o público brasileiro por falhas técnicas e de conteúdo.

Última atualização em Qui, 24 de Junho de 2010 14:18

Comentários  

 
0 #13 vini 30/07/2010 20:42
irul
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-1 #12 05/07/2010 10:35
descordo de alguns comentarios daqui,pois heim momento algum,alguém procura fazer alguém de herói pois isso vem de cada instinto da pessoa,até vc mesmo podem se torna um herói fazendo coisa boas,lutado não apenas por beneficio de se próprio mais por todas as pessoas,e wilson pinheiro, ele sim correu atrás não apenas de seus direitos mais sim de todos,lutou bravamente pela sociedade para seus pais,tios,avós, irmãos e até por vc comentadores,qu e a maioria não saber reconheçe o sacrificio que ele fez,tenho certeza que nem um desse comentariatas que só fala lorotas não faria um terço do que ele fez para as populaçães,ele sim é um homem que dever se reconheçido bravamente como herói acriano principalmente pelos acrianos.e falo isso até porque não pensava em exister na epoca em que ele faleceu,mais seu bravamente reconheçe o que ele fez naquela epoca e que faria ate hoje se estivesse vivo.
WILSON PINHEIRO.
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-4 #11 28/06/2010 11:31
rapaz é o seguinte o que passou passou claro que o wilson como op chico mendes influenciou muito mas vamos cobinar quem vive de passado é museu quero ver se daki uns 400 anos vão falar na mesma historia quero ver se a prefeita pensa em quem quer trabalho de verdade e não irrolaçao consegue PENSE NO PRESENTE E NÃO NO PASSADO CUIDA MENOS DO CARNAVAL E MUITO MAIS....DA POPULAÇÃO DOS RICOS NÃO DOS POBRES QUE PRESISA MUITO MAIS.............
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0 #10 28/06/2010 00:54
Essa historia e verdadeira, se alguém tem duvidas nunca soube com coerteza a real situação em que viviamos, uma angustia e aflição, gostaria de deixar a minha indignação a aqueles que falam asneiras.
Pois também tive muito medo na epoca meu saudoso pai saiu e demorou voltar pra casa, com meus irmãos e mamãe passamos toda noite aflitos,naquela noite nossos cachorros não paravam de "latir" parecia que tinha alguem rondando nossa casa. Esse companheiro foi um marco na historia de Brasiléia e do Acre não tem porque ser esquecido, assim como meu pai também foi um dos fundadores do nosso PT. Infelizmente os paraquedistas caem e se oportunizan...da Historia que apesar da dor tem seus momentos felizes. Pra isso ela existe.
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0 #9 26/06/2010 17:50
Essa história de Chico Mendes e outros sindicalistas, é pura demagogia. Sindicalista algum gosta de trabalhar,ficam inventando heróis onde nunca existiu.
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+3 #8 26/06/2010 07:57
Wilson Pinheiro foi o maior lider sindical do meio rural do Acre. Foi em Brasiléia que nosso companheiro Chico Mendes aprendeu muito a fazer sindicalismo com Wilson Pinheiro. No final da década de 1970, Chico era Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Wilson liderava seus companheiros na luta pela terra, direitos fundamentais e melhoria das condições de vida e nos empates. Morto em 21 de Julho de 1980 devido às desavenças com fazendeiros, quando foi covardemente assassinado na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Brasiléia. Após uma semana de sua morte, Lula veio à Brasiléia e foi realizado um manifesto em frente ao Sindicato. Como vingança, dois dias após essa manifestação, centenas de seringueiros assassinaram o capataz da fazenda do km 78, o Nilo, também conhecido por “Nilão”. Lula e vários líderes e seringueiros foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional e processados. A memória de Wilson Pinheiro há de ser resgatada.
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-2 #7 24/06/2010 14:44
quer bom
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+1 #6 24/06/2010 09:03
So da dinheiro pro estado a morte de Chico mendes. Poucos são os acreanos que conhecem sua história, como dizem os mais velhos a memória do povo é curta. talvez nem saibam que nessa época tivemos a visita de nosso presidente... "é hora da onça beber água"... e bebeu tivemos um dos assassinatos mais feios da história de Brasiléia e poucos são os que ousam falar no assunto, em função disso nosso atual ilustrissimo presidente foi preso. Talvez por isso seja mais rentável, imortalizar Chico do que Wilson Pinheiro.
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0 #5 24/06/2010 07:50
Com certeza não irão estão mas preocupados em organizar o carnavale
porque isso sim gira grana para os cofres públicos e bolsos deles tbm.
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-1 #4 23/06/2010 10:42
nÓS TEMOS QUE TER MUITO CUIDADO qdo falarmos desses acontecimentos, mas, conhecendo Seu Wilson Pinheiro, como nós o conhecíamos, não podemos deixar de comentar alguma coisa. O mundo viu e ouviu o Eco dfas Notícias daquela época. Eu mesmo com meus vinte e popucos anos de idade, chorei e lamentei bastante o fato. Hoje Brasiléia completa 100 anos de existência, será que está na Prog. da Prefeitura alguma coisa a esse respeito? Fico imaginando caso Plácio de Castro, Galvez e tantos outros HERÓIS incluindo Seu W. Pinheiro, pudessem Ver e Ouvir o q. se passa hoje no nosso Estado, certamente reuniria todos seus Soldados e Seringueiros e fariam outra Revolução, pois eles estão morrendo de vergonha. Podem acreditarem nisso. Nossa Saudade à Família e a Todos esses Personagens da nossa História
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-2 #3 23/06/2010 08:41
este comentario e da filha de wilson iama pinheiro
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+1 #2 23/06/2010 08:40
falta de vergonha ate o momento não se viu falar em homenagem a Wilson Pinheiro no centenario.
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+3 #1 22/06/2010 22:42
Quero ver se nao vao homenagear o wilson nos 100 anos de Brasileia... Figura ilustre da historia primeiro lider sindical.
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