Jorge Viana presta homenagem à criança morta em Xapuri pelo Facebook

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Jorge Viana, viaFacebook.

É com pesar e com muito sentimento que eu faço essa postagem. Pensei em não fazer. Mas diante de uma barbaridade como essa, o pior é calar. A pequena Maiquele Nonato de Oliveira, de quatro anos de idade, foi brutalmente judiada e assassinada na véspera do Dia de São Sebastião, em Xapuri. Como pai e como cidadão, fiquei estarrecido com essa tragédia. Não é possível que o mundo ainda tenha que conviver com isso. Uma criança de quatro anos, brincando na rua com seus colegas, é pega por um marginal, que mexe com drogas e brutalmente assassinada com muita perversidade. O marginal está preso, a população está revoltada. Todos nós estamos chocados! Mas eu me pergunto: o que fazer diante disso meu Deus?!

Eu estive em Xapuri ontem para o Dia de São Sebastião. Fui à missa e à procissão. Logo depois, fui ao velório da criança. Falei com a mãe dela, a dona Marinalva, com alguns parentes e com as pessoas que estavam naquele velório, que talvez tenha sido o mais simples que eu participei na vida, mas, sem dúvida, o mais chocante.

Neste ano o Senado, através de uma comissão da qual eu faço parte, vai discutir o novo Código Penal. O Brasil é tido como o país da pena mínima. Esse marginal, que com frieza fez essa barbaridade, já tinha estuprado uma criança em Brasiléia e duas em Xapuri. Já havia ficado preso durante três anos. Mas, como a própria mãe da criança contou para mim, praticou esse crime com frieza e sadismo. Que pena uma pessoa dessas deve ter? A mãe da criança me disse que passou na frente da casa aonde a filha foi morta. Ele estava do lado de fora e a criança morta do lado de dentro. Ela perguntou para ele sobre a criança e ele mentiu. Disse que a menina tinha passado correndo na rua acompanhada de outras duas crianças. Ele era conhecido do pai da vítima e, segundo a mãe, era envolvido com drogas. Ele falou para a mãe não chegar muito perto da casa porque o cachorro mordia. Ela se viu desesperada atrás da filha. Depois, junto a amigos e parentes que já desconfiavam que ele poderia ter sido o responsável, ela voltou até a casa e ele já não estava mais lá. Só estava a criança já vitimada.

As autoridades policiais prenderam o marginal imediatamente. Mas eu me pergunto: e agora? O que fazer? Sinceramente, eu não sei para onde vai uma sociedade embrutecida como a nossa! Vou relatar esse caso na tribuna do Senado no próximo mês, quando os trabalhos recomeçarem. Vou debater isso no Novo Código Penal. E espero que o Brasil possa modificar a sua lei penal e encontrar um jeito de tratar com toda a dureza possível pessoas que ameaçam a sociedade e que cometem atos como esse.

Fica aqui minha solidariedade à família e ao povo de Xapuri! Por fim, não resta outra coisa, a não ser pedirmos desculpas para nós mesmos por fazermos parte de uma sociedade assim, que tira a vida de um anjo como a Maiquele.

Que Deus possa acolhê-la!

Jorge Viana é senador e ex-governador do Acre.

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