Presidente de sindicato critica importação de médicos: “falta estrutura e não profissional”

Médicos realizam cirurgia de revascularização no InCor, em São Paulo - Olga Lysloff/Folhapress
Médicos realizam cirurgia de revascularização no InCor, em São Paulo – Olga Lysloff/Folhapress

Folha de São Paulo

Médicos e estudantes de medicina realizam neste sábado (25), no centro de São Paulo, uma mobilização contra a intenção do governo federal de importar médicos estrangeiros para o Brasil, que supririam o déficit de profissionais no interior do país e na periferia das grandes cidades.

A passeata organizada parte da sede da Associação Paulista de Medicina, na av. Brigadeiro Luiz Antônio, pela manhã e segue para o Largo São Francisco.

Para o presidente do Sindicato de Médicos de São Paulo (Simesp), Cid Carvalhaes, o problema é estrutural e a medida do governo seria ineficaz. “A importação não é eficiente e não atende a demanda”, afirma em entrevista à sãopaulo.

Carvalhaes diz que a medida apenas “minimiza” o problema. “Falta estrutura, e não profissional. Não tem posto de atendimento. Falta medicamento, possibilidade de consultas com outras especialidades. Falta dentista, enfermeiro, exame, hospital. Falta tudo”, analisa. “No nosso entendimento, o problema não se resolve importando ou exportando médico.”

O sindicato acredita que o número atual de médicos no país é adequado, mas admite que a melhor distribuição é fundamental. Para tanto, seriam necessárias modificações na estrutura do atendimento, segundo ele. “O que um município com 5 mil habitantes pode gerar de recursos financeiros para ter um suporte de atendimento? É preciso realizar consórcios municipais e inter-regionais. Não podemos simplificar o debate.”

Carvalhaes também critica a falta de informação em relação ao destino desses profissionais após o prazo de atuação deles. “Não se diz qual o destino que se daria a eles depois. Se vão prestar provas ou serão proibidos de ficar no país como médicos, enfim. Temos informações em doses homeopáticas”, comparou Carvalhaes.

O presidente do sindicato também demonstra preocupação com um possível “choque cultural”, afirmando que os médicos estrangeiros precisam se adaptar para que possam entender a população a ser atendida, em especial na questão da linguagem.

OUTRO LADO

O ministro da Educação Aloizio Mercadante se pronunciou sobre o caso no último dia 14 e afirmou que a política será temporária e que os médicos selecionados poderão atuar no Brasil por até três anos.

Na última terça-feira (21), o ministro da Saúde Alexandre Padilha disse que as cidades que desejarem receber os médicos de fora deverão construir ou ampliar sua rede de saúde e que a intenção é colocar profissionais brasileiros e estrangeiros nas unidades.

O Ministério da Saúde esclarece que o programa ainda está na fase de discussão e que o governo brasileiro tem se reunido com o governo de outros países como Portugal, Espanha, Reino Unido, Canadá e Austrália para estudar de que forma foi feita a captação de mão de obra estrangeira.

O governo também estuda a possibilidade de haver um intercâmbio com profissionais brasileiros, que fariam residência no exterior.

Sobre o número de profissionais no país, o Ministério nega que existam muitos médicos, afirmando que o Brasil tem 1,8 médico para cada mil habitantes –a Espanha, um dos países na lista de possível negociação, tem quase 4 para cada mil habitantes e o Reino Unido, 2,7.

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