Xapuri: Omissão da Ufac é alvo de ação civil pública do MPE e MPF

Há sete anos, a instituição não forma professores, comprometendo a efetividade da educação no município
Estrada que dá acesso ao município de Xapuri, conhecido como berço do ambientalismo
Estrada que dá acesso ao município de Xapuri, conhecido como berço do ambientalismo

Em atuação conjunta, o Ministério Público do Estado do Acre (MP/AC) e o Ministério Público Federal (MPF) ajuizaram ação civil pública (ACP) contra a Universidade Federal do Acre (Ufac), com a intenção de assegurar a oferta de cursos de Licenciatura em Xapuri.

No município, mais de duzentas crianças e adolescentes estavam sem estudar devido à falta de oferta de ensino do 6º ao 9º ano. Em Xapuri, há sete anos, a Ufac não forma professores, comprometendo a qualidade da educação no município.

Na ação, a Promotora de Justiça Diana Pimentel e a Procuradora da República Antonelia Carneiro destacam que o edifício da universidade está fechado e em desuso no município. “Ao fechar as portas, a Ufac propiciou um retrocesso social inaceitável”, diz um trecho da ação. A Promotoria de Xapuri e a Prefeitura Municipal tentaram solucionar o problema junto à Ufac, que teria se comprometido a reabrir as portas da instituição; porém, nada foi realizado.

Diana Pimentel e Antonelia Carneiro apuraram ainda que professores de pedagogia e biologia da Ufac [de Rio Branco] chegaram a elaborar projetos de cursos presenciais e dispuseram-se a ministrar aulas em Xapuri. Entretanto, não houve empenho da Reitoria da instituição na implementação dos cursos.

Segundo elas, há dois anos, a população xapuriense é ludibriada com promessas que, até hoje, não foram cumpridas e que a Ufac não pode continuar limitando sua atuação a Rio Branco, esquecendo-se dos municípios do interior. Como destacam na ação: “Cabe ao Poder Judiciário não permitir que a universidade continue a violar princípios e regras constitucionais”.

Em 2010, a Prefeitura de Xapuri realizou concurso público para professores com graduação em Pedagogia, mas não conseguiu preencher o número de vagas devido à ausência de profissionais graduados na área fim. “As crianças e adolescentes de Xapuri somente terão um futuro digno se lhes for propiciada uma educação com profissionais habilitados e qualificados para prepará-los para o ingresso no mercado de trabalho”, diz um fragmento da ACP.

Na referida ação, foi solicitada a implantação imediata dos cursos de licenciatura em Biologia e Pedagogia no campus do município e a realização de processo seletivo, na universidade, para que os estudantes, que concluíram o ensino médio, ingressem no próximo semestre letivo da instituição.

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