Nos dias 26 e 27 de outubro, o Acre sediará dois grandes eventos: o 16º Fórum de Governadores da Amazônia Legal e o Encontro de Governadores do Brasil pela Segurança Pública e Controle das Fronteiras – Narcotráfico, uma Emergência Nacional. Através da iniciativa do governador Tião Viana, os dois momentos serão uma defesa de união do país, sobretudo no combate ao narcotráfico e na proteção da soberania nacional.

“Isso pode significar uma nova agenda de responsabilidades, uma nova maneira de enxergar o problema da droga, uma nova maneira de priorizar esse tema dentro do nosso país. O êxito disso pode significar o debate direto e aberto sobre o mais grave e ameaçador problema que nós temos no nosso país”, ressaltou o governador em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 16.

A questão tem se agravado tanto no Brasil, que dados demonstram que de 2011 a 2015, o país registrou mais vítimas de mortes violentas intencionais (279.567) que a guerra da Síria no mesmo período (256.124). Só em 2015 foram apreendidas 110.327 armas no Brasil.

Na questão das drogas, o país é vizinho dos maiores produtores de cocaína do mundo: Bolívia, Peru e Colômbia. Devido a isso, o Brasil exerce papel estratégico no tráfico, o que reflete no aumento da criminalidade dentro do país.

“A solução é o caminho da inteligência, medidas de fiscalização e um trabalho de controle permanente. É preciso investir. Nós não podemos ter um grande efetivo das Forças Armadas do Brasil no Centro-Sul, e um investimento tão pequeno ainda na Amazônia”, reforça Tião Viana.

Investir e unir para salvar

Histórico no país e organizado em tempo recorde no Acre, o Encontro de Governadores Pela Segurança e Controle das Fronteiras já tem confirmada a presença do presidente Michel Temer, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira.

Além de governadores do Brasil, devem participar também chefes de estados subnacionais e embaixadores da Colômbia, Bolívia, Peru, Equador e Alemanha.

Com tamanha mobilização de forças institucionais, a expectativa do Encontro é que saia dele a concretização de um Plano Nacional de Segurança Pública nos mesmos moldes dos já existentes para saúde e educação, além de uma Força-Tarefa de combate aos crimes transfronteiriços e proteção da soberania do país.

Com base em dados da ONU, América Latina e Caribe corresponderam, em 2012 e 2013, a 80% das apreensões de cocaína e por um quarto das apreensões de maconha do mundo. Paralelo a isso, a criminalidade tem feito suas vítimas principalmente entre os jovens entre 15 a 29 anos, que correspondem a mais da metade (53%) do total de mortos em 2015, sendo 31.264 pessoas mortas nesta faixa etária.

“O narcotráfico é o assunto mais ameaçador para as gerações presentes e futuras. Esse encontro pode significar uma nova maneira de enxergar o problema da droga e de priorizar o tema dentro do país. O êxito disso pode ser um debate direto e aberto sobre o mais grave problema que temos. Eu vivia dividindo a aflição com os meus colegas. Precisávamos fazer algo emergencial para uma intervenção imediata”, afirmou ainda o governador.

No cálculo dos investimentos, as disparidades são ainda maiores. Enquanto a União aplicou R$ 9 bilhões na Segurança Pública em todo o país em 2015, os nove estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Maranhão e Pará) investiram R$ 8,9 bilhões – praticamente o mesmo valor. Para o governador, é a hora de uma mudança profunda nesse sistema.

“Isso é uma desproporção, algo muito grave que estamos vivendo e não pode se dar dessa maneira.”

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