“Estão confiscando os nossos produtos e ameaçando nos matar”, contou um agricultor

Cerca de 20 famílias reivindicam assentamentos/Foto: ContilNet
Cerca de 20 famílias reivindicam assentamentos/Foto: ContilNet

Um grupo de 20 famílias de sem-terra, três delas ainda morando em terras bolivianas, estiveram hoje (20) no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para reivindicar assentamentos o mais imediato possível, já que, desde 2005, através do Itamaraty, o governo brasileiro se comprometeu em acolhê-las.

“Estão confiscando os nossos produtos e ameaçando nos matar”, contou um agricultor, que pediu para não ser identificado.

“O governo do Brasil deve ficar em alerta em relação às denúncias de maus-tratos, invasão de casas, mortes de gado e expulsões ocorridas contra brasileiros que vivem na fronteira com a Bolívia. As agressões e os confiscos teriam sido feitos por militares”, disse o vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), José Janes, relatando que helicópteros fazem voos rasantes sobre as propriedades.

Ainda segundo o sindicalista, o governo boliviano alegou desconhecer a situação. Segundo os brasileiros, a ordem para os militares não foi dada pelo gabinete do presidente da Bolívia, Evo Morales. “Hoje, aqui no Incra temos uma só reivindicação, que é o assentamento dessas 20 famílias. No entanto, estamos pedindo ao governo federal que faça a repatriação daqueles brasileiros”, disse ele.

De acordo com diplomatas que acompanham o assunto, uma das origens da crise é uma lei da Bolívia que estabelece que estrangeiros não podem ser proprietários de terras em uma faixa de 50 quilômetros em relação à linha de fronteira. Há um esforço dos governos brasileiro e boliviano para retirar, de forma pacífica, os produtores rurais brasileiros que ainda vivem na região.

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