Presos foram encaminhados para o presídio Francisco D’Oliveira Conde, em Rio Branco. Defesa trabalha para conseguir transferência para a Unidade Prisional 4 (UP-4).

Operação Ojuara resultou em 18 prisões e apreensão de R$ 800 mil — Foto: Divulgação PF-AC
Por Alcinete Gadelha

Após audiência de custódia, realizada na tarde de ontem quinta-feira (9), a Justiça decidiu manter a prisão do ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Acre Carlos Francisco Augusto Gadelha e dos outros suspeitos presos na Operação Ojuara.

No total, 18 pessoas foram presas e encaminhadas para a sede da Polícia Federal do Acre, na quarta-feira (8), na ação, que investigou pessoas envolvidas em crimes ambientais cometidos por alguns Ibama, policiais militares e fazendeiros.

A audiência ocorreu por vídeoconferência, na sede da Justiça Federal, em Rio Branco, e depois os suspeitos foram encaminhados ao presídio Francisco D’Oliveira Conde, em Rio Branco. A reportagem, a defesa afirmou que trabalha para conseguir a transferência dos envolvidos para a Unidade Prisional 4.

De acordo com Maxsuel Maia, um dos advogados de Gadelha e de outros servidores do Ibama que não tiveram os nomes divulgados, após a audiência, a defesa trabalha para entrar com recurso nos próximos dias para garantir a liberdade dos suspeitos.

Operação termina com 17 prisões, R$ 800 mil apreendidos e é maior ação contra crimes ambientais da PF-AC — Foto: Divulgação/PF-AC

“A primeira medida será buscar restabelecer a liberdade dos investigados, por entender que não estão presentes os requisitos autorizadores das prisões. É preciso levar em consideração que todos já foram ouvidos e que nenhum causou qualquer impedimento à instrução criminal. Alguns, inclusive, se apresentaram espontaneamente às autoridades”, pontuou Maia.

Sobre o afastamento do cargo, o advogado explica que o ex-superintendente já não exercia a função e não teria como ter influência por causa da função.

“O Senhor Carlos Gadelha, por exemplo, já estava afastado de suas funções anteriormente, não tendo, portanto, qualquer poder para interferir na ordem pública, econômica ou na conveniência da instrução criminal”, afirmou.

Ainda conforme Maia, os advogados trabalham, a partir de agora, com análise minuciosa para buscar provar a inocência dos servidores públicos envolvidos.

PF faz operação contra crimes ambientais cometidos supostamente por servidores do Ibama no AC — Foto: Divulgação/PF-AC

Sobre a operação

A Operação Ojuara, que investiga crimes praticados por grandes fazendeiros no Acre e Amazonas, cumpriu 36 mandados de buscas e 18 de prisões, sendo 17 por mandados e uma em flagrante. Houve uma prisão ainda em Minas Gerais.

Entre as prisões estão quatro policiais militares de Boca do Acre (AM), cinco pessoas do Ibama no Acre e mais quatro fazendeiros do Amazonas. A PF-AC informou que foram apreendidas cinco armas de fogo, munições, um avião monomotor, cinco caminhonetes, 11 tratores, mais de 7 mil cabeças de gado, celulares, mídias e ao menos R$ 800 mil.

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De acordo com a Polícia Federal, falta cumprir um mandado de prisão. O quarto PM se entregou na tarde desta quinta (9) na sede da PF em Rio Branco.

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Dos presos, cinco são servidores do Ibama; quatro são PMs do Amazonas; três pecuaristas; dois grileiros de terra; um engenheiro florestal ex-funcionário do instituto e mais duas pessoas que a polícia intitulou como “testas de ferro” da organização criminosa.

 

 

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