Todo petista da educação, caso tenha um mínimo de honestidade intelectual, deve pedir desculpas pela situação de penúria em que vive os estudantes brasileiros

Mais uma falácia petista!

Marcio-Bittar-Alexandra-Martins-ACMárcio Bittar

Recentemente, li uma entrevista do senhor Binho Marques e reafirmei minha convicção de que a desfaçatez dos petistas é assustadora. O país mergulhado em uma crise sem precedentes causada, em grande parte, pela irresponsabilidade na gestão financeira do governo deposto do PT e o senhor Binho tentando fantasiar sobre pseudos avanços na educação brasileira.

Ironicamente, o ex-governador informa-nos que nem os tais movimentos sociais, extremamente atrelados ao PT, enxergam claramente as hipotéticas conquistas do governo Dilma nesse campo. Mas, convenhamos, 13 anos de PT representaram apenas gastança irresponsável e política para inglês ver: muito acesso, ampliação de matrículas, e convivência pacífica com péssima qualidade de ensino; falta de aprendizado da pré-escola à pós-graduação. Sem dúvida, o analfabetismo funcional é presente em todos os níveis educacionais e a doutrinação do tipo esquerdista tomou conta do sistema de ensino brasileiro na era PT.

O senhor Binho Marques ainda quis se apropriar do Plano Nacional de Educação (2014 a 2024) como um avanço da administração federal passada. É preciso lembrar ao ex-secretário de educação do Acre que o Plano Nacional é apenas um plano; uma carta de intenções. Em outros termos, não significa nenhum avanço real. Todos os demais planos foram fragorosamente descumpridos e centenas de metas arbitrárias foram ignoradas na realidade. Enfim, nada aconteceu de efetivo porque estava escrito em um plano decenal votado pelo Congresso Nacional.

Qualquer avaliação neutra e científica, constatará que não houve contribuição efetiva de planos nacionais de educação para a elevação da qualidade do sistema de ensino brasileiro. Em particular, o último PNE foi votado com anos de atraso, tem metas inalcançáveis, outras tecnicamente falhas, é centralista e autoritário. As medidas de regulamentação e de organização da educação que constam no PNE (2014 a 2024) ao serem implementadas correm o risco de piorar o que já é muito ruim.

A grande vitória a que o ex-governador se referiu na entrevista é sobre a aplicação de 10% do PIB em educação. É bom lembrar que os governos de Lula e Dilma foram contra e trabalharam contra o aumento do percentual de investimento do produto interno no setor educacional. Binho Marques reconhece que tal vitória foi solapada pela crise econômica, com as quedas sucessivas do PIB. Porém, ele omite que o PT e a presidente afastada são os responsáveis diretos pelo ocaso da economia nacional.

Ademais, é consenso técnico que problemas em educação não podem ser explicados pelo baixo investimento ou gasto público com educação no Brasil. Temos imensos problemas pedagógicos, de formação de professores, de cobrança por resultados, de indisciplina e de gestão.

Paradoxalmente, o investimento aumentou muito nas duas últimas décadas. No país, o investimento médio em relação ao PIB é maior do que a média da União Europeia. Investe-se cerca de 7% do PIB em educação sem nenhum resultado prático de qualidade alcançado. Afinal, como falar de avanços se somente 11% das crianças brasileiras de 3º ano do ensino fundamental foram alfabetizadas plenamente, segundo o próprio MEC? Como falar em avanços se padecemos nos últimos lugares do mundo em proficiência de leitura, matemática e ciências, segundo a OCDE?

Todo petista da educação, caso tenha um mínimo de honestidade intelectual, deve sempre, em primeiro lugar, pedir desculpas pela situação de penúria em que vive os estudantes brasileiros. Do contrário, querem apagar o fato de terem governado o país por 13 longos anos. Como se vangloriar quando se tem alunos que perdem seu tempo em escolas que não ensinam ou perdem a juventude em universidades que mais parecem centros de formação de militantes políticos. A situação da educação brasileira é de causar vergonha em qualquer um que tenha discernimento e razão

Marcio Bittar é ex-deputado federal e presidente do Instituto Teotônio Vilela

Comentários