Sebastião Viana, governador do Acre – Foto: Alexandre Lima/arquivo

Com o Acre vivenciando uma das mais graves crises em sua segurança pública – com índices de homicídios e roubos nas primeiras posições de rankings nacionais – o governo de Sebastião Viana decidiu combater a violência muito mais por meio da propaganda do que efetivamente fortalecendo o policiamento nas cidades do Estado.

Pelo menos essa é a conclusão que se tira a partir da análise dos recursos liberados aos órgãos e autarquias estaduais para o segundo trimestre de 2018. Enquanto a Polícia Militar terá pouco mais de R$ 540 mil para aplicar até o fim de junho, a Secretaria de Comunicação terá em caixa R$ 3,3 milhões.

Os dados tornaram-se públicos na edição do “Diário Oficial” desta quarta-feira (11) com o Decreto 8.802, que disciplina a execução do orçamento e o distribui entre secretarias, autarquias e empresas estatais.

A Casa Civil, responsável por cuidar da agenda do governador, incluindo viagens nacionais e internacionais, terá mais verba do que a Polícia Militar, que tem como missão o policiamento ostensivo e preventivo: R$ 885 mil.

São com esses R$ 540 mil em conta que a PM terá de comprar combustível para suas viaturas em todo o Estado. O comandante, coronel Marcus Kimpara, também terá que gerenciar este orçamento na calculadora para compra de equipamentos como armas e munições. Conforme ac24horas já revelou, há cinco anos a instituição não compra fardamento para a tropa.

Pelas ruas da cidade é possível encontrar PMs trabalhando em trajes civis, identificados apenas pelo colete.

A Polícia Civil contará com mais recursos neste segundo trimestre: R$ 1,4 milhão. Chama a atenção a verba que o Palácio Rio Branco destinou ao Instituto de Administração Penitenciária (Iapen).

Após protestos de agentes denunciando o abandono do sistema carcerário acreano, o Iapen terá em caixa quase R$ 9,5 milhões. Manter o controle dos presídios em ano eleitoral é essencial para a imagem do governo, pois é de dentro deles que partem as ordens de líderes das facções criminosas para ataques aos oponentes ou ao patrimônio público como represália.

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