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CRM vai entrar com processo para derrubar lei que libera contratação de médicos sem Revalida no Acre

Lei que autoriza a contratação de médicos sem revalida foi sancionada nessa segunda-feira (5). CRM diz que prepara ação para pedir a suspensão dos efeitos da lei no estado.

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Governo sanciona lei que autoriza contratação de médicos sem revalida no Acre – Foto: Ashkan Forouzani / Unsplash

Por Alcinete Gadelha

Após o governador Gladson Cameli sancionar a lei que autoriza a contratação de médicos formados no exterior sem revalidação do diploma, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) contestou a medida que considera inconstitucional e anunciou que vai acionar a justiça para derrubar os efeitos da lei.

A lei que permite a contratação dos profissionais foi sancionada nessa segunda-feira (5), após ter dois vetos derrubados por unanimidade na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). A medida é para reforçar os atendimentos nas unidades de saúde durante a pandemia. O PL tinha sido aprovado no dia 18 de maio na Aleac e logo após a aprovação, foi enviado para o governador sancionar ou vetar.

O assessor jurídico do CRM-AC, Mário Rosas, disse nesta terça-feira (6), que está sendo preparada uma ação para acionar a Justiça Federal pedindo a suspensão dos efeitos da lei que é considerada inconstitucional.

“Ainda estamos preparando e vamos pedir a suspensão dos efeitos da lei que fere a Constituição Federal desde a sua iniciativa, que tem alguns vícios, inclusive, que a iniciativa dessa lei deveria partir do Executivo e não do Legislativo, tendo em vista o aumento de despesas no orçamento. Além disso, ela também adentra numa esfera de iniciativa privativa da União, tendo em vista que o interesse é da União, uma vez que já foi muito debatido a nível de Congresso Nacional”, disse.

Rosas pontuou que também deve se manifestar contrário a qualquer edital que possa ser lançado pelo governo. A assessoria jurídica do CRM já tinha se manifestado contrária a lei, na época da primeira aprovação, e afirmado que era inconstitucional uma vez que trata das diretrizes básicas da educação regidas por lei federal e que fere o ato privativo da União de legislar.

“Em razão disso, nós vamos pedir a inconstitucionalidade da lei e vamos agir com todas as medidas, desde contra a própria lei e contra qualquer edital que for lançado pelo governo”, acrescentou.

A reportagem aguarda resposta do Executivo estadual.

Conforme a lei, para a contratação deve ser dada a seguinte ordem de preferência na seleção:

  • médicos brasileiros formados no exterior que não prestaram o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas – Revalida, e que possuem experiência comprovada no Programa Mais Médicos, conforme Lei Federal nº 12.871, de 2013;
  • médicos estrangeiros formados no exterior, que não realizaram o Revalida, e que possuem experiência comprovada no Programa Mais Médicos, conforme Lei Federal nº 12.871, de 2013;
  • médicos brasileiros formados no exterior que não realizaram o Revalida;
  • médicos estrangeiros residentes no Brasil que tenham exercido a medicina no País de origem, conforme Lei Federal nº 12.871, de 2013, e que não realizaram o Revalida.

A publicação ressalta ainda que o governo do estado, com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e do Comitê Acre Sem Covid, deve regulamentar a lei.

Vetos e derrubada

Durante a avaliação dos três artigos do material, Cameli vetou o parágrafo que estabelecia sobre as prioridades. A parte vetada por Cameli determinava que médicos formados no exterior sem o Revalida e que não tivessem participado dos programas Mais Médicos e Médicos pelo Brasil pudessem ser contratados.

“Isso foi uma emenda adotada no projeto, que o PL original não previa, mas foi fruto de um debate que tivemos com a Associação dos Médicos. Isso é importante porque se você for baixar um edital hoje, no Acre, não se tem mais do que 20 médicos com essa experiência. Esses programas não ampliaram muito sua abrangência no Acre”, destacou o deputado Edvaldo Magalhães, autor da emenda.

Em nota, a Associação Médica do Acre (AMAC) negou que tenha se reunido com o deputado e disse ainda que é contra a lei aprovada pelo Executivo.

“Esta é claramente inconstitucional, por tentativa de se usurpar questões referentes à revalidação de diplomas, de responsabilidade da União, submetendo a população ao atendimento de profissionais sem a devida qualificação ou comprovação de formação para trabalho no país”, destaca.

Ainda segundo Magalhães, o segundo veto do governador foi sobre o artigo que especificava sobre a regulamentação do PL. A emenda diz que o Poder Executivo precisa consultar o Comitê de Combate à Covid-19 antes da sanção.

Com a derrubada dos dois vetos, o projeto voltou para a mesa do governador Gladson Cameli e ele tinha 48 horas para sancionar e publicar a lei. Caso isso não acontecesse, o presidente da Aleac promulgaria a lei.

Pedidos negados

Em maio do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Brasília acatou, em caráter liminar, o recurso do CRM-AC e da União Federal e mandou suspender a contratação de profissionais sem revalida para atuarem durante a pandemia.

A decisão derrubou uma liminar concedida pelo governo do Acre para contratar os profissionais de forma provisória.

O governo foi autorizado, no início do mês de maio de 2020, pela 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Acre, a contratar médicos sem o registro no CRM-AC. Assim como outras entidades de saúde, o CRM-AC também se posicionou contra a contração dos profissionais durante a pandemia.

O pedido de urgência para chamar os profissionais foi enviado ainda em abril para o Governo Federal, o Ministério da Saúde e o CRM-AC.

Com a autorização, entidades de saúde entraram com um recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região contra a decisão.

Já em agosto do ano passado, a cidade de Cruzeiro do Sul, no interior, teve o pedido para contratar médicos sem o revalida negado pela Justiça Federal do Acre. Os profissionais atuariam nos postos de saúde do município durante a pandemia do novo coronavírus.

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Prefeitura de Brasiléia realiza campanha de combate à violência contra a mulher

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A prefeitura de Brasiléia, através da Secreatria Municipal de Saúde, por meio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) está realizando uma série de palestras voltadas ao Agosto Lilás, mês em que se intensifica as campanhas de prevenção e conscientização referentes a violência doméstica.

As atividades estão sendo realizadas nas Unidades Básicas de Saúde do munícipio, onde há um grande fluxo de pessoas buscando atendimento e, na ocasião também tem a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a temática.

Segundo a Coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial, Rogéria Gondim, através das palestras é possível orientar e conscientizar os pacientes sobre a importância do combate à violência de gênero. ” Graças às informações, as mulheres têm conseguido identificar os diversos tipos de agressões contra elas, a Prefeita Fernanda Hassem é bem sensível nessa questão, estamos realizando trabalho de prevenção e combate à todo tipo de violência contra as mulheres”, comemorou Rogéria Gondim.

A campamha Agosto Lilás nasceu com o objetivo de alertar a população sobre a importância da prevenção e do enfrentamento à violência contra a mulher, incentivando as denúncias de agressão, que podem ser físicas, psicológicas, sexuais, morais e patrimoniais.

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Acreano é convocado para Seleção Brasileira de Taekwondo e vai disputar evento em São Paulo

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Bryan Adrian, 11 anos, vai defender Seleção no Pan-Americano em outubro, na Colômbia. Antes, atleta tem compromisso no Pan Am Séries III, que acontecerá em setembro, na capital paulista

O acreano Bryan Adrian, 11 anos, é oficialmente o mais novo integrante da Seleção Brasileira de Taekwondo na categoria Infantil. O atleta recebeu convocação da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBDK), no último domingo (14).

Bryan Adrian, atleta acreano de taekwondo — Foto: Arquivo pessoal/Levy Azevedo

Bryan Adrian, atleta acreano de taekwondo — Foto: Arquivo pessoal/Levy Azevedo

Bryan Adrian, atleta acreano de taekwondo — Foto: Arquivo pessoal/Levy Azevedo

Bryan Adrian garantiu vaga após assegurar recentemente o título do Super Campeonato Brasileiro de Taekwondo, em São José (RS). O acreano é um dos 10 atletas que vão representar o país no Pan-Americano entre os dias 11 e 12 de outubro, na Colômbia

Antes do embarque para a Colômbia, o acreano tem outro compromisso em busca de uma vaga no Pan-Americano de 2023. Bryan Adrian vai disputar o Pan Am Séries III entre os dias 14 e 18 de setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

– Tá sendo um feito muito grande na vida dele. O Bryan é um futuro promissor, é um atleta que tem tudo pra ser um campeão olímpico e a cada dia que passa ele construí mais ainda a sua carreira, tá provando isso no tatame. Ele tá indo pra desafios muito importantes mesmo, desafios internacionais pra sua carreira e é se manter na seleção agora e o foco é as olímpiadas mesmo – destaca o presidente da Liga Acreana de Taekwondo e pai de Adryan Brian, o mestre Levy Azevedo.

Bryan Adrian e o mestre Levy Azevedo viajam para São Paulo no próximo dia 12 de setembro. O Pan Am Séries III também é a oportunidade do acreano conseguir bolsa atleta internacional. Ao completar 12 anos, o atleta subirá para categoria Cadete.

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Tite redobra atenção com preparação de atletas a 99 dias de estreia na Copa: “Não vamos agradar a todos”

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Treinador concede entrevista exclusiva ao ge e abre o jogo a poucos meses do início do Mundial

Tite cobra preparação especial de jogadores para Copa do Mundo; veja entrevista

Merecer com alma, qualidade técnica, solidariedade como equipe, confiança alta, preparação ao máximo e parceria de grupo. Essas são as palavras que impulsionam Tite e Cléber Xavier rumo ao hexa. O ciclo de preparação para o mundial do Catar estabeleceu uma equipe competitiva, mentalmente forte e com espaço para as individualidades brilharem.

Os números falam por si. O gaúcho de Caxias do Sul soma 84% de aproveitamento em 74 jogos em frente à Seleção Brasileira, desde junho de 2016. São 56 vitórias, 13 empates e cinco derrotas, com 158 gols marcados e 26 gols sofridos. Dois reveses doeram na alma: a eliminação para a Bélgica e a perda do título para a Argentina na Copa América de 2021.

A comissão insiste para que os jogadores façam três meses de excelência para chegar em alto nível no mundial. Não há espaço e tempo para desleixo. Qualquer deslize pode ser determinante para sobrar da lista dos 26, que segue indefinida. Para Tite, não basta querer ganhar, é preciso estar determinado para alcançar o auge físico e técnico.

A observação que estamos fazendo para nós e atletas: tem vontade de te preparar para estar bem? Estamos fazendo todo esse possível para que eles cheguem na melhor condição.

— Tite

Técnico Tite e auxiliar Cléber Xavier — Foto: Reprodução/RBS TV/Gabriel Bolfoni

Técnico Tite e auxiliar Cléber Xavier — Foto: Reprodução/RBS TV/Gabriel Bolfoni

Tite demonstra o brilho no olho a cada resposta. Brilho de quem confia e persegue com muito trabalho a desejada Copa do Mundo. Aos 61 anos, o treinador se vê mais experiente e preparado para encarar os desafios e tomar as melhores decisões. O comandante reviu a derrota para a Bélgica cinco vezes. Ao relembrar do jogo, admitiu que faltou uma falta tática para interromper na origem o lance do segundo gol belga.

Confira os principais trechos da entrevista

ge: Qual a pergunta mais ouvida nessa bateria de entrevistas?

Tite: Se a lista tá fechada. E, verdadeiramente, não está. Pela experiência, pelo nível de atletas, concorrência. Estamos acompanhando legal.

A FIFA permitirá 26 convocados na Copa do Catar. Como vocês pensarão e administrarão as três vagas a mais?

Predominantemente no setor criativo ofensivo com características diferentes, únicas, que possam proporcionar um arsenal estratégico maior

Cléber Xavier: Dentro da possibilidade de ter todos os atletas no banco, isso é muito importante. Tu tem os atletas no banco.

A 96 dias do início da Copa, Tite prepara a lista dos 26 convocados

Ainda tem duvidas na lista final?

Tem. Não é ser simpático e proforma. É porque não está (fechada) mesmo. Comentamos a competição dos atletas, o Cleber falou especificamente do Pedro.

CX: Não fechamos a lista. Em todos os setores. A gente trabalha com 3 ou 4 jogadores por posição para não ficar na mão, na dúvida, por situação de lesão, de perda. Por isso não está fechado. Na frente, são as características dos atletas, tem muitos com característica diferente, externo, um contra um, atacante pivô que faz sustentação e agride espaço, meio-campista que vai entrelinhas, que dê ritmo. Ter todos os atletas e o mais importante é que todos se sintam pertencentes ao processo. Isso que mantemos relações fora das convocações. Tem jogadores que não vem há duas ou três convocações e podem aparecer agora. Estamos acompanhando e inclusive mantendo contato.

O Tite hoje em relação a quatro anos atrás como está?

Eu brinco assim, tem bem mais cabelo branco, o joelho dói mais, experiência também traz, aliás o que é quando se faz um ciclo completo com muito mais segurança naquilo que está fazendo. Hoje nós temos aí com formas táticas, com um approach com os atletas muito mais uma relação de confiança como técnico. Com uma comissão técnica que se comporta de acompanhamento muito mais vivo diferentemente de um momento anterior de necessidade de transformar resultado e apressando tudo, agora nós temos, eu sinto, uma maturidade para entender esse conjunto e melhor preparado.

Tite em entrevista para o ge — Foto: Reprodução RBS TV/Gabriel Bolfoni

Tite em entrevista para o ge — Foto: Reprodução RBS TV/Gabriel Bolfoni

O trabalho entrou em uma fase de voo de cruzeiro? Está seguro?

CX: A gente não consegue se acomodar, o Tite brinca, brinca não, fala sério, que não tem essa zona de conforto. Para ele isso não existe, existe zona de confiança, a gente trabalha, pesquisa, discute, democratiza as informações, a gente tem um núcleo duro que trabalha diariamente na CBF com o Juninho, como nosso coordenador. O Tite, eu, o Cesar Sampaio, o Matheus, Fábio, o Guilherme, fisiologista, o Bruno e Thomas, como analistas de desempenho então é um grupo que vive diariamente, discute, cresce e claro que cada vez que o tempo passa mais maduro a gente fica. Mais vontade de aprender e se desenvolver que trabalho dê certo, não sei se isso dá esse voo de cruzeiro, mas dá confiança. Às vezes no olhar a gente sabe onde um está acertando, onde está errando, a gente vai desenvolvendo.

Tite: Zona de confiança com desafios.

Quais acertos da Copa na Rússia têm que ser mantidos e quais erros não podem ter novamente?

Difícil pontuar porque cada momento é distinto, não tinha a experiência que tenho agora. Analisar naquele momento é uma situação. Uma orientação especifica… Vou traduzir para o jogo, para que em uma falta ofensiva ou bola parada a gente tenha 1: condição de finalizar; 2: se receber rebote terminar e concluir; 3: manter posse e 4: fazer uma falta tática. É aprendizado técnico e tatico, reiterado sob forma de orientação. Usar da competitividade no momento importante. É o segundo gol da Bélgica, foi assim. Temos mais uma estrutura posicional que também dá criatividade. O Roger (Machado) fala isso. Pode ser predominantemente posicional, mas tem que ser funcional e misto para que a criatividade do atleta aconteça. Temos uma estruturação melhor nos termos táticos. Há uma série de aspectos que fazem um processo de evolução.

Na Rússia tinha a situação do Neymar com lesão, o Jesus voltando de problema. Esse ano parece que está tudo bem. Os jogadores estando bem, é uma vantagem em relação à Copa passada?

Cansei de ouvir: “gosto de vencer, sou competitivo”. Esse clichê me incomoda. Faço essa referência em relação às pessoas porque quem chega nesse alto nível sempre é competitivo. A observação que estamos fazendo para nós e atletas: tu tem vontade de te preparar para estar bem? Agora é o momento de acompanhamento tanto quanto possível. Claro que não vai ser perfeito. Não vamos agradar a todos, sabemos. Mas é da vida, o que nós temos que fazer, o que falamos para o atleta agora: “te prepara o melhor possível. Faz o teu acompanhamento clínico, físico. Nutrição, profilaxia, preventivamente”. Estamos fazendo todo esse possível para que eles cheguem na melhor condição. Pré-requisito (competitividade alta).

E como está o nível de ansiedade para ter todas as opções sem problemas?

Neymar estava voltando de lesão, Dani machucou, Renato Augusto também. A melhor versão nossa em 2018 foi nas Eliminatórias, aí depois ela machucou e oscilamos. O melhor jogo foi para mim contra a Bélgica, qualquer um podia passar, estou falando de boa aqui, tinha que ter prorrogação aquele jogo, pela grandeza e qualidade técnica das duas equipes. Que agora a gente tenha a condição de estar monitorando, mas vai ser inevitável que aconteça algum problema físico maior. Por isso estamos ajustando os atletas todos.

Tite vai definir nos próximos dias os substitutos de Neymar e Vini Jr no time titular — Foto: Pedro Martins/CBF

Tite vai definir nos próximos dias os substitutos de Neymar e Vini Jr no time titular — Foto: Pedro Martins/CBF

Nossa geração é boa, temos jogadores de qualidade. Hoje, o Brasil precisa de alguma característica, um jogador que tenha algo que o grupo ainda não tem?

O Leonardo (Oliveira), comentarista da RBS, falou uma coisa interessante. O 10 clássico que nós tínhamos, Douglas vamos colocar, D’Alessandro, especificamente, foram diluídos no 11, no 7 e no 8 até no 5. É a observação perfeita. Não temos mais o jogador específico com essa característica. Essas combinações, diluir essas características em diferentes em atletas passa a ser importante.

CX: O 10 é o construtor. Onde se constatou o construtor jogar, na entrelinha, no bloco defensivo do adversário, por trás, o externo de fora flutuando para construir. Temos hoje zagueiros construtores.

Interessante, me dá um gancho. O fisiologista e a comissão fizeram um estudo e buscaram na Liga Espanhola. Colocou que de 2013 a 2022, quase isso, o ritmo do jogo, o volume percorrido, permanece inalterado. O que muda é a velocidade de movimentos de 10 ou 20 metros. Um detalhe técnico que ficou observado que quero colocar: há um processo físico de evolução e um processo que o número de participações do zagueiro tornou-se 30% maior que outros jogadores. Equipes compactam e dão liberdade aos zagueiros para criar. Há necessidade ter defensores com boa qualidade do passe.

É uma Copa diferente pela época, pelo país. Quais os cuidados com isso ?

CX: Cuidado é que é uma Copa com pouco tempo de preparação, para a gente 10 dias porque estreamos mais tarde. E chegar com os atletas na melhor condição possível. Trabalhar na parte mental muito, como viemos trabalhando muito. O que ganhamos nesta Copa é atletas mais descansados física e mentalmente. O grande número de atletas nosso é da Europa, que vai estar em meio de competição. Os jogos são próximos, mas a recuperação em distâncias mais curtas de viagens, no máximo 45 minutos até o estádio, ajuda.

A Copa do Mundo sempre gera tendências. Podemos esperar algo de novo no comportamento das equipes?

Em termos táticos, o 5-2-3. No sistema a dinâmica e os atletas se complementarem é o aspecto mais importante.

CX: Para mim, o que chama mais atenção é a não definição de um sistema. O time joga no 3-5-2, mas joga quando? Quando defende baixo, alto ou médio? Como constrói no 3-5-2? Na média, no último terço? Pode ser 2-3-5 com os zagueiros ficando, meio-campista e laterais fechando como construtores e externos ampliados. Pode ser 3-2-5 ou 2-2-6. A numeração se perde um pouco das formas, porque o jogo é subdividido por momentos de construção e defesa.

O Tite é mais do Guardiolismo ou Kloppismo?

É de Ancelotti, um meio termo. Não é predominantemente defensiva, nem exclusivamente defensiva, criativa. Apesar de taxarem o Guardiola apenas como ofensivo, mas é a equipe que recupera mais rapidamente a bola. O perde-pressiona é altíssimo. Há um processo todo defensivo. Quem olhar o segundo gol na estreia que fez contra o West Ham, verá a equipe toda do Guardiola compactada em um 4-4-2 muito próximo da grande área, retoma a posse, a bola entra no Rodri, entra no De Bruyne, faz o passe para o Haaland. Quase 70 metros de passe vertical. Equilíbrio nessas ações, ter verticalidade e saber jogar com aproximações. Para mim, é a essência perto do que entendo por excelência.

Onde vocês estavam em 1970 (Tri), 1994 (Tetra) e 2002 (Penta)?

As etapas da vida influenciam na capacidade de análise, como a emoção bate forte. Em 70 estava jogando bolinha de gude e não conseguia entender como o Brasil estava perdendo para o Uruguai de 1×0. Aí, uma jogada em que o Clodoaldo inicia com Gérson, a bola vai para o Tostão e faz uma assistência para o Clodoaldo. Imaginava, como, teoricamente, o centroavante dá um passe para o primeiro meio-campista e empatamos. Mas é a emoção do empate. Outro que tenho a memória afetiva, 1982, quando o Falcão faz o gol de empate dei um tapa em um copo e sai vibrando, gritando. Passado o tempo, 1994 e 2002, mais analítico, enxergar com os olhos do ex-atleta e técnico. Mais analíticas e menos emocionais. Como as fases da vida trazem.

CX: Em 1970, menino com seis anos. Lembro coisa muito vaga. Em 1994, meu filho tinha nascido em fevereiro, assisti à Copa com ele muitas vezes no colo. E 2002, a gente estava em São Paulo para um jogo. Aqui no Brasil, os torneios não paravam para a Copa. Lembro de assistir a um jogo dentro de hotel, lembrança maior que eu tenho é viajando, já trabalhando.

Tite, técnico da seleção brasileira, durante treino na Coreia do Sul — Foto: Lucas Figueiredo / CBF

No banco de reservas, como controlar a emoção? Eu lembro da tua comemoração contra a Costa Rica. Correu e caiu no gramado.

O nível de concentração ali na casamata, como chamamos, procuramos abstrair no aspecto de fora e ficar focado no jogo. Mas é desafiador.

Quantas vezes vocês reviram Brasil 1×2 Bélgica e o que pensam dos grupos da Copa?

Eu assisti ao jogo cinco ou seis vezes com os principais lances. Fiz uma palestra da CBF sobre a trajetória do jogo, os momentos. Tem diferentes jogos dentro do mesmo jogo. As diferentes situações que aconteceram. O sentimento que eu tenho logo no início depois é que acordava à noite e dizia: “nós empatamos”. Claro que defendendo um pouquinho, diagnosticando um pouco que o De Bruyne falou de forma verdadeira: “O Brasil jogou melhor, mas fomos efetivos”. Cortouis disse pro Casemiro que fez um dos maiores jogos da carreira.

Fisiologista da Bélgica, em videoconferência, em uma palestra, disse que alguns componentes do futebol são determinantes e que tem uma pitada de sorte, senão não teria passado do Brasil. Quando falou, eu falei “mas vai para o quinto dos infernos, chega”. (risos)

CX: Vi o jogo umas três ou quatro vezes, em momentos de preparação, para rever, pegar detalhes. Para mim o suficiente para já deixar de lado. Os grupos são parelhos, não vi nenhum grupo da morte assim. Esse grupo de Coreia, Gana, Portugal e Uruguai é muito parelho e não sei quem classifica.

Sobra tempo para o Cléber e Tite viverem fora do futebol?

O Cléber coloca bem. Quem vê o nosso estilo, diz: os caras não são parceiros de jeito nenhum (risos). Fico em casa. Às vezes, as pessoas confundem e acham que sou mascarado e ostentoso. Sou um cara muito quieto, reservado. Intimista, talvez. Bicho do mato. Gosto da família, ler bastante, algum seriado, cinema. E gosto de esporte, ficar praticando o meu trabalho. Tem sido meu núcleo, o que me move e me traduz.

CX: Estava no fim de semana agora em um aniversário de uma coleguinha íntima de escola da minha filha. A mãe da menina e me apresentou para o pai dele, disse que eu era da seleção. Era o Ritchie, o cantor. Comecei a contar história, conhecia todas as músicas, tinha disco. Quando fui morar nos Emirados, levei cem discos, um deles era dele. É meu jeito, sair da pressão, soltar. Focar no trabalho e ser sociável.

Essa parceria de vocês iniciou quando, como?

Cheguei do Caxias no Grêmio e estava formando a comissão técnica. Seu Verardi e eu conversamos e havia um leque de opções de profissionais para serem auxiliares técnicas. O Seu Verardi me puxou para o lado e disse Tite o cara pra trabalhar contigo é o Cléber, o Cléber conhece todo o Grêmio em termos políticos e tem um profundo conhecimento sobre as categorias de base, e aqueles atletas que possivelmente possa aproveitar, o Cléber vai falar porque tem trabalhado com todos eles. Então ele foi um pouquinho do mentor da dupla, a gratidão do seu Verardi.

Qual o livro atual do Tite?

O livro atual é Felicidade, do Pondé, Karnal e Cortella, os três filósofos. O livro de cabeceira. O outro é um best-seller que um funcionário da CBF me presenteou. São os dois. O anterior que gosto, foi dos All Backs. Dá lições de equipe muito forte. Cortella colocando, que ele leu 10 mil livros, eu tenho uns 400, mais ligados ao futebol. Essa leitura me move para refletir. Ou sobre as situações táticas e ter também o perfil do grande atleta, capacidade de superação. Comprei do Armstrong, mas quando soube da realidade dele deixei de lado.

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