Deputados estaduais dizem que possíveis candidaturas de secretários são uma ‘traição’

Da redação, com José Pinheiro As possíveis candidaturas a deputado estadual e federal em 2014 de secretários de Estado tem causado certo desconforto de parlamentares da base governista. De acordo...

politica

Da redação, com José Pinheiro

As possíveis candidaturas a deputado estadual e federal em 2014 de secretários de Estado tem causado certo desconforto de parlamentares da base governista. De acordo com os parlamentares consultados, os secretários teriam ‘vantagens’, pois administram um orçamento público, o que poderia facilitar a corrida por uma cadeira na Aleac.

O deputado Walter Prado (PEN) afirma entender como uma ‘traição’ a candidatura de secretários de Estado, pois a base governista sempre foi leal com o Executivo. E destacou que o principal objetivo dos parlamentares de situação é reeleger Tião Viana no ano que vem.

“Não é bom para a democracia. Por que um secretário está dirigindo um orçamento público. Não é justo com a própria base que vota com o governo. Acredito que o projeto maior é a continuação do governo do Tião Viana”, ressalta o parlamentar.

Walter foi mais enfático em sua análise e deixou clara sua insatisfação quanto à possibilidade. “Secretário ser candidatos gera um certo descontentamento. Nega isso quem quiser, eu não nego. Quem quiser ser candidato deveria entregar o cargo público”, diz o parlamentar ecológico.

Outro que não concorda com a ideia é o deputado José Luis Tchê (PDT). Para o pedetista, existe uma tradição na Casa de que secretários não devem ser candidatos, mas sim apoiar os deputados da base em suas reeleições. Ele acredita ser uma incoerência ajudar eleger o governador e depois, como ‘pagamento’, terem outros nomes fortes na disputa.

“Existe uma tradição na casa de secretários não serem candidatos e apoiarem os deputados. Os secretários estão lá porque nós ajudamos a eleger o governador. Os deputados são fiéis ao governo. Acredito que eles serem candidatos, deixam de cuidar dos interesses do coletivo para cuidarem dos interesses próprios. Os secretários têm de ajudar os deputados da base”, argumenta Luís Tchê.

Contrapondo a todos, o líder do governo na Aleac, deputado Astério Moreira (PEN), diz que vê esta situação com naturalidade, pois, caso haja alguma candidatura, existe uma legislação eleitoral que deve ser cumprida. De acordo com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aqueles que ocupam cargos públicos devem se afastar de suas atividades 6 meses antes do pleito eleitoral. Astério Moreira não será candidato em 2014.

“Acredito ser normal. Eles não estarão no cargo quando estiverem disputando. O TRE está muito atento. E para ser candidato tem que se afastar 6 meses antes. Isso possibilita a entrada de novas lideranças. Os deputados estão muito a frente na disputa”, frisa.

Secretários não descartam hipótese, mas decisão cabe aos partidos
A GAZETA ouviu alguns secretários que cogitam entre os nomes que disputarão uma vaga na Aleac em 2014. Nas colunas políticas, os nomes mais em evidência são do secretário de Estado de Educação, Daniel Zen, do secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e dos Serviços Sustentáveis do Acre, Edvaldo Magalhães (PCdoB), o secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Lourival Marques, e o secretário de Pequenos Negócios, José Carlos Reis. O nome do chefe da Casa Civil da Prefeitura de Rio Branco, André Kamai, também figura entre os preferentes.

O secretário de Estado de Educação, Daniel Zen, afirmou que cabe a PT decidir sobre sua candidatura. Disse também que a ideia já lhe trouxe muita ‘dor de cabeça’, mas que tem uma boa relação com os deputados da base. Entretanto, ele não descartou a possibilidade e acrescentou que isso faz parte do jogo político.

“Tenho uma boa relação com os deputados da base. Mas a hipótese sempre existe. Sou um militante, tenho uma vida partidária. Então, se houver uma deliberação do partido. Acredito que faz parte. É uma estratégia. Mas esta antecipação tem gerado tanta coisa ruim, ciúmes dos parlamentares”, desabafa o secretário.

Zen explicou que na época do ex-governador Binho Marques ficou deliberado que secretários de Estado não concorreriam a vagas na Aleac. Ele acredita que esta iniciativa de Binho Marques gerou certo ‘conforto’ entre os parlamentares.

“Poderíamos ter uma chapa mais forte na Aleac. O governador Tião Viana já tem uma visão diferenciada. Ele encara isso como natural”, salientou o secretário.

Já o secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e dos Serviços Sustentáveis do Acre, Edvaldo Magalhães, afirmou que o PCdoB ainda não tratou do assunto. Ele afirma que o partido deve sentar para definir os possíveis nomes tanto para a Aleac quanto para a Câmara dos Deputados.

“Não definimos nada ainda quanto às eleições do ano que vem. Apenas decidimos que vamos ter chapa própria para estadual. Mas assim, a única coisa que é definida dentro do PCdoB é a candidatura da deputada federal Perpétua Almeida ao Senado Federal. Isso eu posso afirmar”, frisa Edvaldo Magalhães.

O chefe da Casa Civil do município de Rio Branco, André Kamai, negou que seja candidato em 2014. Afirmou que seu propósito é ajudar o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT). “Vou continuar a minha missão que o partido me incumbiu que é apoio ao nosso prefeito. Estou ajudando as candidaturas internas do PT, mas não há essa possibilidade”.

Os secretários Lourival Marques e José Carlos dos Reis não foram encontrados para falar sobre o assunto.

Comentários