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Cotidiano

Desmatamento da Resex Chico Mendes em julho equivale a 4.200 campos de futebol

O Projeto de Lei 6024 de 2019, de autoria de deputada federa Mara Rocha (PSDB/AC), que propõe a redução dos limites da Resex Chico Mendes foi criticado pela filha de Chico Mendes

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POR NANY DAMASCENO

Dados divulgados pelo Instituto Imazon na última semana mostram que 30 km² de floresta nativa foram derrabadas na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, somente em julho. A área equivale aproximadamente a 4.200 campos de futebol. A Resex foi a segunda mais desmatada entre as Unidades de Conservação da Amazônia Legal no mês passado

Criada em 1990 e com uma área de pouco mais de  9 mil km², compreendidos em 7 municípios, acreanos e abrigando cerca de 3 mil famílias que sobrevivem da extração de látex e coleta de castanha, a unidade perdeu, até 2020, 101,3 km².

Em uma reportagem feita pelo Brasil de Fato, Ângela Mendes, filha do seringueiro que dá nome à Reserva e coordenada do Comitê Chico Mendes, disse que as ameaças à florestam só crescem.

“O conjunto de ameaças hoje é muito maior, se multiplicou. Por que não bastasse, nós ter continuarmos com madeireiros, e pecuaristas, com os grileiros, nessa busca incessante de explorar a Amazônia, mas a gente se depara hoje com os projetos de lei do legislativo, que justamente incidem sobre esses territórios”.

O Projeto de Lei 6024 de 2019, de autoria de deputada federa Mara Rocha (PSDB/AC), que propõe a redução dos limites da Resex Chico Mendes em 222 km², também foi criticado por Ângela.

Angela Mendes, filha do seringalista Chico Mendes/Foto: reprodução

“Inventaram muito falatório, muito boato e as pessoas começaram a fatiar parte de suas áreas para vender. Então a gente está numa situação realmente em que a gente precisa pensar soluções coletivas né para enfrentar tudo isso”, diz.

A Resex Chico Mendes, símbolo da luta ambientalista no Brasil, foi criada para dar continuidade ao legado do líder seringueiro que deu seu nome à unidade de conservação. Para a filha, esse é o maior legado de Chico Mendes, morto em 1988, em Xapuri.

“O legado do meu pai são os territórios de uso coletivo, mais propriamente as reservas extrativistas, que são hoje, depois das terras indígenas, os territórios mais ameaçados por esse conjunto de instrumentos do legislativo, executivo, e que vem impactar negativamente o conjunto dessas unidades de conservação”, finaliza Mendes.

Muito além do desmatamento

Não bastasse o desmatamento, uma ameaça constante á vida das famílias que vivem na Resex Chico Mendes, a unidade de conservação sofre com as queimadas. Ela lidera com maior número de queimadas entre as áreas protegidas do estado, com 148 focos ao longo deste ano, sendo 78 nos 20 dias de agosto, segundo dados da Sala de Situação de Monitoramento Hidrometeorológico do Estado do Acre vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA).

Trecho da Resex, localizado em Xapuri. Foto: Ramon Aquim

Cercada por grandes fazendas de gado, em 2020 a Resex Chico Mendes foi a campeã em registro de focos de queimadas entre todas as unidades de conservação da Amazônia, com 1.127 focos. Todo esse fogo está diretamente relacionado com a queima da floresta recém-derrubada ou a limpeza das pastagens.

Entre tantas consequências imediatas, está a emissão de carbono. Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a invasão e o desmatamento apenas em florestas públicas não destinadas no Brasil emitiram 1,87 bilhões de toneladas de carbono entre 2003 e 2019, agravando o efeito estufa do planeta.

Além disso, um recente estudo do Um estudo do Inpe revela que a floresta amazônica, considerada o pulmão do mundo por armazenar CO2, já emite mais gás carbônico do que consegue absorver. Entre 2010 e 2018, a Amazônia deixou de retirar da atmosfera 0,19 bilhões de toneladas de CO2 por ano. Considerando apenas as queimadas, a floresta conseguiu absorver apenas 18% das emissões por queimada no período. Tratando-se do desmatamento, a emissão de carbono foi dez vezes maior em áreas com mais de 30% de desmatamento.

Resex Chico Mendes está localizada em território de sete municípios acreano/Foto: Marcio Pimenta

Grupos criminosos

O Ministério Público Federal instaurou um inquérito em junho, para apurar a possível existência de grupos criminosos  que desmatam e comercializam madeira extraída ilicitamente. O caso já foi inclusive caso de operação da Polícia Federal em março deste ano.

A Resex foi criada em 1990, pouco mais de 1 ano após a morte de Chico Mendes, líder seringueiro assassinado em dezembro de 1988, em Xapuri, a mando de Darly Alves, um grileiro de terras da região. Desde sua criação, já perdeu mais de 6% de sua cobertura florestal.

Segundo o MPF, no último Censo, em 2010, foram identificadas 2.076 famílias morando dentro da Reserva Chico Mendes. A estimativa hoje é que esse número ultrapasse 3 mil.

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Juíza libera acusado de matar detento por falta absoluta de provas

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O presidiário Isaías Moreira Lima, que chegou a ser autuado na Delegacia de Flagrante pelo assassinato do colega de cela Raimundo Morais de Souza, de 46 anos, que morreu estrangulado com uma corda artesanal no presídio Francisco d’Oliveira Conde no último domingo, foi liberado pela juíza de plantão durante audiência de custódia.

Segundo a polícia, ele estaria em cumplicidade com Welligton Rodrigues de Souza, no entanto,  a falta de provas dentro dos autos seria a causa de sua liberação.

Isaías foi apresentado na tarde de segunda-feira na Delegacia de Flagrantes com outros sete presos que estavam na cela 25 do Pavilhão A, onde o detento Raimundo Morais foi estrangulado.

No final da audiência, ele e Wellington Rodrigues de Souza foram autuados e indiciados criminalmente pelo crime. Já na manhã desta terça-feira, na audiência de custódia na Cidade da Justiça, ele foi inocentado provisoriamente e liberado por falta de provas.

Contudo, não significa que o mesmo esteja livre da acusação, já que novas investigações serão realizadas pela Polícia Civil.

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Presidente da Assembléia Legislativa anuncia reajuste salarial para servidores da casa a partir de janeiro

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Durante entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (8), o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nicolau Junior anunciou uma reposição salarial para todos os servidores da Casa.

Nicolau destacou que embora ainda não seja possível confirmar o percentual a ser aplicado sobre os salários, o reajuste passa a valer já a partir de janeiro de 2022.
O presidente lembrou que a reposição só foi possível devido às medidas econômicas adotadas por sua gestão à frente do legislativo estadual. Segundo o ele, a mesa diretora aplicou medidas de contenção de despesas com transparência e eficiência na aplicação dos recursos financeiros. Ainda de acordo com Nicolau, hoje a ALEAC atua em consonância com o limite de despesas da Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Fizemos um esforço muito grande para conceder essa reposição salarial aos servidores da casa. Adotamos medidas de austeridade e conseguimos colocar nossa saúde financeira em condições de ofertar esse reajuste. Fico feliz como presidente desse poder em ter condições de anunciar esse presente de natal. A partir de janeiro todos terão o reajuste incorporados aos seus salários, o que considero um grande avanço”, disse Nicolau.

A reposição salarial vai contemplar mais de 450 servidores do legislativo. A última vez que um mesa diretora concedeu reajuste foi em 2014.

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Com 13 novos casos, Acre tem mais de 88,2 mil infectados pela Covid desde o início da pandemia

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Por Janine Brasil, g1 AC — Rio Branco

Há 15 exames de RT-PCR à espera de análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux — Foto: Odair Leal/Seco

O Acre registrou 13 novos casos de Covid-19 nesta quarta-feira (8), de acordo com o boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre). Assim, o número de infectados saiu de 88.241 para 88.254. Nenhuma morte foi registrada, então, o total de vítimas pela doença continua sendo 1.849.

Em todo estado, há oito pacientes internados nos hospitais de referência, dos quais quatro estão com resultado positivo para a doença.

Há, em todo o Acre, 15 exames de RT-PCR à espera de análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Desde o início da pandemia, 86.136 pessoas receberam alta.

O Acre está em contaminação comunitária desde o dia 9 de abril, com uma taxa de incidência de 9.843,8 casos para cada 100 mil habitantes. A taxa de mortalidade em cada 100 mil habitantes é de 206 já a de letalidade – quantidade de mortos dentro dos números confirmados da doença – é de 2%.
Dos 20 leitos disponíveis na rede SUS em todo o Acre, três estão ocupados. Com isso, a taxa de ocupação dos leitos é de 15%. São 10 leitos em Rio Branco e 10 em Cruzeiro do Sul.

Números e mortes

Das 1.849 mortes, 1.077 eram homens e 772 mulheres. Do total de vítimas, 1.229 tinham acima de 60 anos.

Maiores taxas de contaminação a cada 10 mil habitantes:
  • Assis Brasil – 2.425
  • Mâncio Lima – 1.549
  • Xapuri – 1.546
  • Tarauacá – 1.527
  • Santa Rosa – 1.510

 

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