Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte, 30,6% das estradas estaduais e federais que cortam o Acre estão em péssimas condições.

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Sebastião Viana, governador do Acre – Foto: Divulgação

Da Folha de São Paulo

O governador Tião Viana (PT) tentará se reeleger ao governo do Acre com o legado de uma gestão que ampliou a dívida pública e freou investimentos em infraestrutura.

Aliado a isso, o petista terá de lidar com um cenário de poucos avanços na indústria, a exemplo da criação de uma zona de livre comércio inaugurada há dois anos, mas que ainda não começou a operar.

Dependente de repasses federais, o Estado tem recorrido a empréstimos crescentes para fechar as contas. A dívida pública, que representava 50,4% da receita em 2011, passou a 68,5% em 2013.

Para a oposição, o equilíbrio fiscal é prejudicado pelo peso da máquina. O Acre tem hoje 56 órgãos, entre secretarias, autarquias e empresas estatais –só de 2011 a 2013, o gasto com custeio subiu 32%.

“O endividamento do Acre não é um caso isolado. O problema é que não gera riqueza, não tem um parque industrial. No final das contas, os empréstimos foram consumidos com o custeio da máquina”, diz o deputado federal Márcio Bittar (PSDB), provável adversário de Viana nas eleições.

Principal aposta para turbinar a indústria, a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) do Acre foi inaugurada em 2012, mas ainda se resume a um terreno vazio.

Três empresas tiveram projetos aprovados para se instalar próximo de Rio Branco e receber incentivos fiscais e cambiais, mas ainda aguardam os trâmites burocráticos.

O ex-governador Flaviano Melo (PMDB) diz que houve avanços na área social, mas falta estímulo para ativar a economia. “Se você não der incentivos, ninguém vem. Quem quer vir para cá e ficar longe do centro consumidor?”

Entre os obstáculos para atrair indústrias estão a distância dos grandes centros consumidores e a infraestrutura precária –como más condições das rodovias.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte, 30,6% das estradas estaduais e federais que cortam o Acre estão em péssimas condições, 53,5% são ruins e 15,9%, regulares. Mesmo assim, os gastos na área caíram 30,6% entre 2011 e 2013.

A Folha pediu entrevista com os secretários da Fazenda e da Casa Civil, mas o governo só falou por e-mail.

Sobre os empréstimos, afirma que foram investidos no setor produtivo e industrial, infraestrutura e inclusão social de comunidades isoladas.

A respeito dos gastos com custeio, diz que são motivados pelo alto índice de investimento, ampliação de serviços públicos e gastos imprevisíveis, como a ajuda humanitária a imigrantes haitianos que entram no país pelo Acre.

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