Pequenos prazeres

DIMAS-COLUNAAcredito sinceramente que alguns pequenos prazeres precisam ser vividos de maneira intensa.

Descobri dois esses dias que juntos tornaram-se incríveis: a solidão e o silêncio.

Quando digo solidão não é a solidão absoluta, não. É aquela solidão delícia de poder fazer as coisas no seu próprio ritmo.

A solidão silenciosa de ouvir a própria voz sem precisar gritar, escutar o que diz o seu próprio silêncio.

Às vezes, o barulho é tanto e o movimento tão intenso que a gente não se vê. É preciso dormir com eles e acordar no susto quando percebe que eles não cessaram.

E aí, de repente, surge o vazio e o silêncio. A junção perfeita para um passeio nos corredores da alma. Por lá, andando, dá pra encontrar sonhos esquecidos, amores perdidos, desejos há muito acalentados, que ficam abafados pelo tumultuado barulho da vida.

Quando eles, a solidão e o silêncio, encontram-se, surge a possibilidade de realização da própria vontade. Dormir até o sono acabar, tomar um pote inteiro de sorvete sem que ele passe pela taça, contemplar o balé das nuvens, ler aquele livro a tanto esquecido. Ou quem sabe, refazer algum plano, ver uma situação pela lenta da serenidade. Não sei. A certeza que tenho é que quando essa hora chega, por mais que o corpo não pare, é a chance que se tem de sossegar.

Sossegando os pensamentos vão se acomodando, as ideias vão surgindo, as soluções aparecendo.

E aí, quando a solidão acaba e o silêncio se vai, o barulho e movimento encontram uma pessoa mais feliz, por ter passado tempo com ela mesma, por ter vivido um pequeno prazer intensamente.

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