Ex-presidente também questionou a criação de uma frente democrática, ideia aventada pela campanha petista, por acreditar que eleitores votam ‘à vontade’

O ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso e o candidato à Presidência Fernando Haddad (Paulo Whitaker/Reuters/Amanda Perobelli/File Photo/Reuters)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quarta-feira (17) que a porta para o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, enferrujou. Ele também fez a avaliação de que a população não segue mais lideranças ao escolher seus candidatos nas eleições.

“Essa porta está enferrujada e acho que a fechadura enguiçou”, disse ele, que é presidente de honra do PSDB e governou o país entre 1995 e 2002.

“Acho que a população hoje, cada um, vota à vontade. O peso que os partidos, os líderes possam ter é relativo. Acho que as pessoas estão tomando posição independentemente de apoiar, deixar de apoiar, e é muito difícil tomar uma decisão neste momento diferente de dizer: ‘olha, cada um vai fazer o que achar melhor’. Vai coincidir com o que eu penso? Não sei, acho que não”, completou.

Em entrevista publicada no último domingo, o tucano disse que havia uma porta para conversar com Haddad no segundo turno da eleição presidencial, enquanto com o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, havia um muro.

Indagado sobre a criação de uma frente democrática a favor de Haddad, ideia que foi defendida pela campanha petista, Fernando Henrique fez a avaliação de que os eleitores não votam mais em frentes. Ressaltou, no entanto, que quem quer que vença a eleição no dia 28 de outubro, será necessária uma coesão nacional.

“Depois que (a porta) emperra fica difícil. Você fica pensando ‘meu Deus, por que agora?’”, disse o tucano, que é alvo histórico de críticas do PT, que o sucedeu na Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente preso em Curitiba cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

“Ganhe quem ganhar, o Brasil vai precisar de coesão. Não dá para governar meio a meio, você precisa ter algo em comum. Aí sim, nós vamos ter que ter portas abertas para poder conversar e avançar juntos”, disse o tucano.

Haddad

Após o ex-presidente ter dito que a porta está agora com a fechadura “enferrujada”, o petista admitiu que o tucano não o apoiou como gostaria. “Quando ele falou que tinha uma porta eu ouvi isso com alguma esperança. Só soube que ela estava enferrujada hoje, então ele está aos poucos contando toda a história”, disse Haddad.

“A vida é assim. A história às vezes cobra os nossos posicionamentos. Nem sempre avisa”, declarou o petista, ao lembrar que o PSDB foi derrotado logo no primeiro turno da disputa presidencial. “O (Geraldo) Alckmin foi traído pelo PSDB ainda no primeiro turno.”

O presidenciável do PT repetiu que procurou montar uma frente com os “democratas” contra a candidatura de Bolsonaro e que recebeu o apoio individual de lideranças do PSDB. “Nem todos vão atuar da maneira como eu gostaria e como eu sugeriria para uma pessoa com a formação que ele (FHC) tem.”

(com Veja, Reuters e Estadão Conteúdo)

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