Cameli deverá acompanhar Bolsonaro em viagem ao exterior e diz que a partir de agora deputados aliados terão que mostrar alinhamento com o governo

Gladson Cameli, governador do Acre (Foto: Alexandre Lima)
TIÃO MAIA

O governador Gladson Cameli deverá acompanhar o presidente Jair Bolsonaro numa visita a Dallas, nos Estados Unidos, nos próximos dias.

Falta apenas o Palácio do Planalto confirmar a data da viagem. Cameli vai ao encontro de empresários na esperança de atrair pessoas interessadas em fazer investimentos no Acre.

A revelação foi feita pelo próprio governador logo após uma reunião no Gabinete Civil, na manhã desta sexta-feira (10), com 14 deputados estaduais que integram sua base de sustentação na Assembleia Legislativa. O encontro serviu também para o governador anunciar que a proposta de reforma administrativa será enviada ainda nesta sexta-feira (10) para análise dos deputados na semana que vem, quando se saberá de fato quem é ou não aliado de fato do Governo.

Na reforma, secretarias serão extintas e outras serão criadas de forma a estruturar melhor o governo, disse Gladson Cameli. Os cargos de assessores especiais serão extintos a fim de que os recursos correspondentes a esses salários possam ser investidos nas secretarias e nos servidores do quadro. Será com a votação da reforma administrativa que o governo vai avaliar quem é de fato aliado ou não na sua base de sustentação.

Gladson com os deputados estaduais/Foto: Reprodução

“Quem tá, tá. Quem não tá, não tá”. Foi assim que ele definiu o resultado final da reunião, após quatro horas de encontro à porta fechadas, vedado à imprensa – os jornalistas só foram autorizados a entrar, antes de a reunião propriamente começar, para fazer imagens e se retiraram. Com aquela definição, o governador quis dizer que quem é aliado do governo, de fato é. Isso significa que o governo não vai aceitar votações contrárias às matérias de seu interesse e tampouco críticas de parlamentares que se dizem aliados mas, no entanto, sobem à tribuna para manifestações como fossem de oposição.

Foi uma reunião para a chamada lavagem de roupa suja “para realinhamento da base”. O governo enfrenta problemas com seus deputados desde que, há um mês, 22 de 23 parlamentares presentes numa sessão da Assembleia, rejeitaram o nome da técnica Mayara Cristine para a diretoria da Agencia Reguladora de Serviços Públicos do Acre (Ageacre), que gerou uma crise capaz de derrubar do cargo o então líder do governo, deputado Gerlen Diniz (Progressistas), substituído por Luis Tchê (PDT), confirmado no cargo por Gladson Cameli na reunião desta sexta-feira. Após a derrota do nome de Mayara Cristine, que voltou à pauta na Assembleia com a insistência do governo para que seu nome seja aprovado, os deputados da base, mesmo os mais alinhados com o Governo, como Antônia Sales (MDB), Cadimiel Bonfim (PSDB) e Neném Almeida (Solidariedade), passaram a tecer críticas ao governador ao ponto de o líder das oposições, deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), ter dito que os governistas estavam fazendo o papel que caberia aos oposicionistas.

Na reunião lavagem de roupa suja foi definido também que o ex-deputado Ney Amorim, nomeado secretário extraordinário do governo, de fato vai comandar a articulação política do governo junto à Assembleia Legislativa.

De bom humor, o governador recebeu os jornalistas após o encontro e admitiu que, durante o encontro, deputados pediram cargos na administração, mas o objetivo de fato o alinhamento do trabalho e que a partir de segunda-feira (13) os deputados da base terão um canal direto com todos os secretários e equipe de Governo. Os deputados reclamaram que muitos secretários, além de não atender ligações dos parlamentares, não retornam as ligações nem prestam informações solicitadas.

Gladson Cameli mostrou aos deputados as dificuldades financeiras do Estado caso a Reforma da Previdência não seja aprovada pelo Congresso Nacional, o que ensejaria ao Governo a decretar situação de calamidade, o que seria uma espécie de antessala da condição de falência em que compromissos financeiros, como o pagamento da folha do funcionalismo, deixariam de ser honrados. “Não temos como arcar com essa conta. Todos os meses temos que desembolsar R$ 40 milhões. Só esse mês tivemos que pagar 10 milhões de dólares para amortização da dívida”, disse o governador.

Daí a esperança de atrair investimentos internacionais para o Acre com a visita de Jair Bolsonaro aos estados Unidos, de cuja comitiva o governador acreano deverá fazer parte, uma viagem ainda sem data definida.

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