O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Nicolau Júnior (PP), suspendeu a sessão desta terça-feira (10), logo após o grande expediente, para receber no centro do plenário os servidores da Saúde. A categoria que deflagrou greve por tempo indeterminado veio a casa legislativa para apresentar aos deputados a sua ata de reivindicações.

O movimento grevista pede, dentre outras coisas, melhores condições de trabalho, maior efetivo de servidores, regulação no Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) e regulamentação do Pró-Saúde. Eles alegam ainda que há um déficit de cinco mil trabalhadores na área, 12 mil cirurgias suspensas, 1,5 mil leitos a menos que o necessário, hospitais superlotados e ausência do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Os trabalhadores também relataram a confusão generalizada ocorrida em frente à Sesacre na manhã desta terça-feira (10). Eles acusam o secretário-ajunto, coronel do Exército Brasileiro, Jorge Rezende, de chamar o movimento grevista de “vagabundo” e de ter agredido o deputado estadual Jenilson Leite (PC do B) que acompanhava o manifesto.
Ao dar início à reunião, Nicolau Júnior saudou os trabalhadores e disse que o parlamento não se ausentará do debate. O presidente também falou da boa vontade do governo do Estado em resolver os problemas do setor.

“Temos que ter muita responsabilidade para fazermos esse debate, tudo deve ser discutido com muita clareza e não tenho dúvida de que o diálogo é o melhor caminho. Sejam bem-vindos a esta casa e já adianto que o governo do Estado fará o possível para ajudar, para chegar a um consenso, e nós estamos aqui também para isso. Contem com a gente”, disse.

Ao fazer uso da palavra, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Adailton Cruz, garantiu que o movimento é pacífico. “Primeiro, agradeço aos deputados por nos receberem. Nós estamos muito tristes com o que aconteceu na Sesacre, ver esses coronéis forasteiros chamando pai de família de vagabundo é demais para mim. Repudio o governo do Estado por estar patrocinando esse tipo de gestão. Como não há diálogo, a greve continua por tempo indeterminado, vai ser a maior greve da história deste Estado, a nossa Saúde não pode ficar nas mãos de pessoas assim”, frisou.

Para o deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), a Sesacre precisa apresentar propostas aos servidores. “Esses gestores da Sesacre são tão incompetentes que eles botaram foi gasolina na greve, ajudaram a fortalecer ainda mais o movimento. Agora, sabemos que o caminho é o diálogo, mas existe uma grande diferença entre reunião e negociação, o prazo da reunião da enrolação já esgotou, agora tem que ter proposta na mesa”, enfatizou o oposicionista.

O líder do governo na Aleac, deputado Luís Tchê (PDT) disse que a secretária de Saúde do Estado tem se empenhado para resolver o impasse. “No governo passado, uma reunião não durava cinco minutos, pois o Carioca virava as costas e saía. Ontem, foram quase cinco horas de reunião com o sindicato buscando um caminho. A equipe do governo está enfrentando o problema e dialogando com todos. Tenho certeza absoluta que iremos encontrar o caminho. Não vamos tolerar truculência, o Gladson é pé no chão, é humilde e todos sabem disso. Devemos retomar o diálogo, amanhã às 15 horas iremos novamente nos reunir”, afirmou.


Texto: Mircléia Magalhães
Revisão: Suzame Freitas
Foto: Raimundo Afonso
Agência Aleac

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