A principal porta de entrada desses haitianos é município de Brasiléia.

Da Redação da Agência ContilNet

O número de haitianos que chegaram ao Brasil por Brasiléia, no Acre, e tiveram a situação regularizada pela Polícia Federal, triplicou em 2013.

Segundo informações, de janeiro até o início de setembro deste ano o número de haitianos registrados na delegacia da cidade já chega a 6 mil, diz o delegado da PF, Carlos Frederico Portella Santos Ribeiro.

Em todo o ano de 2012, 2.318 haitianos pediram refúgio ao chegar a Brasiléia sem o visto obtido no país de origem para a permanência no Brasil.

A principal porta de entrada desses haitianos é município de Brasiléia. De acordo com informações da Polícia Federal, Tabatinga (AM) também recebe os estrangeiros, mas as dificuldades encontradas por eles para entrar pelo município são maiores devido à necessidade de atravessar o rio Solimões, fazendo com que o número seja bem menor.

Segundo a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre, antes os haitianos se dividiam em dois grupos ao chegar a Lima: um seguia para o Acre e outro ia até a cidade de Tabatinga. O órgão afirma, no entanto, que essa última rota parou de ser usada há cerca de oito meses e agora todos chegam apenas pelo Acre.

Segundo delegado Ribeiro “o número vem aumentando bastante neste ano”. “A cada dia, tem uns 50 aqui na frente da delegacia”, relata.

O representante da Secretaria de Direitos Humanos do Acre na cidade, Damião Borges, estima um número ainda maior de imigrantes. Até 25 de setembro, ao menos 7.200 novos haitianos foram cadastrados no acampamento que os recebe na cidade. Desde 2010, afirma ele, são mais de 10.800.

A imigração desenfreada teve início em janeiro de 2010, quando um forte terremoto deixou 300 mil mortos e destruiu grande parte do Haiti, o país mais pobre das Américas.

Segundo dados da Agência de Inteligência dos EUA (CIA), a renda per capta no país é de cerca de US$ 3,6 por dia. Em 2010, após o tremor, a delegacia da PF em Brasiléia recebeu 37 haitianos. Em 2011, foram 982.

Só em abril deste ano, foram feitas 1.771 solicitações de visto por parte de haitianos. O governador Tião Viana (PT) decretou, inclusive, situação de emergência em razão da entrada descontrolada dos estrangeiros.

Oficialmente, os haitianos não são considerados refugiados pela lei brasileira, que entende que o refúgio só pode ser concedido a quem provar estar sofrendo perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas em seu país.

Mas, devido ao grande fluxo de haitianos em direção ao Brasil, o governo abriu uma exceção e concede a eles um visto diferenciado.

Informações G1 Acre

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