O parlamentar queria fazer denúncias contra a direção regional do Solidariedade, mas não passou da recepção

TIÃO MAIA

O deputado estadual Neném Almeida (Solidariedade) esteve ausente nos debates da Assembleia Legislativa nas últimas sessões. Estava em Brasília e não foi à passeio. Por isso, deve desembarcar de volta ao Acre nesta quinta-feira (20) trazendo, além da mala, um pote de mágoas prestes a transbordar, tanto quanto a direção de seu partido no Acre como em Brasília.

Sua visita à Capital Federal tinha por objetivo um encontro com o deputado federal por São Paulo Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade. Se recebido, iria queixar-se de que está sendo vítima de, segundo ele, uma armação da direção regional do Solidariedade para deixá-lo sem partido. Mas, segundo o próprio relatou a uma amiga, por telefone, no gabinete de Paulinho da Força, ele não passou da recepção. Enquanto não recebia o deputado estadual, o presidente nacional do partido se encontrava com a deputada federal Wanda Milani, amiga pessoal e mulher de confiança de Paulinho da Força.

É exatamente contra a deputada federal Vanda Milani que estão apontadas todas as mágoas do deputado estadual. Contra ela e seu filho, o secretário de Meio Ambiente, Israel Milani, que é o presidente regional do Solidariedade. Na semana passada, em entrevista ao ContilNet, Israel Milani admitiu que de fato pediu à Neném Almeida que se retirasse do partido, sob a alegação de que ele se julga muito independente, tem apetite voraz por cargos para aliados e agregados e não se adequa às diretrizes partidárias, o que é um acinte uma vez que, de acordo com a legislação partidária, os mandatos agora já não pertencem aos eleitos e sim às direções partidárias. Isso significa que o eleito que não se adequar ao que preconiza seu programa e aos ditames de sua direção, pode até ser expulso.

“A gente não chegar a tanto. Não queremos confusão e que ele saia tranquilo. Para isso, daremos a ele a carta de liberação”, disse Israel Milani. No primeiro momento, o deputado aquiesceu e disse que iria apresentar a carta, mas o documento não chegou à direção partidária, afirmou Milani.

É que Neném Almeida, temendo que mais tarde os seus suplentes pudessem recorrer à Justiça reivindicando o mandato, avisou que agora só sai se, além da carta da direção, tiver também documento dos dois primeiros suplentes com o compromisso de que não iriam recorrer judicialmente. Os dois suplentes são Josemir Anute e Enfermeiro João, respectivamente, que deram sinais de que, porque têm a expectativa de assumir, não estão dispostos a assinar o documento.

A confusão entre o deputado e o Solidariedade regional, que vem de longe, teve seu ápice na semana passada, durante reunião do governador Gladson Cameli com 14 deputados de sua bancada de apoio na Assembleia, entre os quais Neném Almeida. Entre as queixas dos parlamentares ao governador segundo as quais muitos de seus secretários e auxiliares diretos não dariam à mínima aos deputados, muitos nem mesmo se dignando a atender um simples telefonema, sobrou para André Hassem, o diretor-presidente do Imac (Instituo de Meio Ambiente do Acre).

Embora a reunião tenha sido realizada à portas fechadas, no gabinete civil do governador, as informações vazaram e deram conta de que Neném Almeida agiu como uma espécie de carrasco de André Hassem, que também foi candidato a deputado estadual pelo Solidariedade e um concorrente direto do deputado na região do Alto Acre, onde foi inclusive prefeito do município de Epitaciolândia. As queixas foram tantas que, ao término da reunião, deputados da base aliada e auxiliares diretos de Gladson Cameli, chegaram a anunciar a exoneração de Hassem. A exoneração só não veio porque em seguida a deputada Vanda Milani entrou em campo. Na queda de braço entre ela e Neném Almeida, a deputada saiu ganhando porque André Hassem escapou da degola. Almeida veio a púbico depois dizer que todos os deputados presentes na reunião – e não só ele, ressaltou – fizeram queixas contra Hassem e responsabilizou os Milani pelo problema.

O que não se esperava é que o deputado estadual fosse a Brasília levar os problemas regionais para a direção nacional. Deputado de primeiro mandato, Neném Almeida retorna do Distrito Federal certo de que, em Brasília, quem manda mesmo são os mandatos de deputados federais. Por aqui, na semana que vem, o caldeirão pode entornar porque, depois que ele tentou queixar-se à direção nacional, o Solidariedade local pode já não conceder a carta de saída e o deputado já corre o risco de ser expulso, embora os dirigentes do partido não queiram falar ainda sobre o assunto.

Comentários