Local reservado aos imigrante na delegacia da Polícia Federal em Epitaciolândia esperam serem atendidos depois de dois dias - Foto: Alexandre Lima
Local reservado aos imigrante na delegacia da Polícia Federal em Epitaciolândia esperam serem atendidos depois de dois dias – Foto: Alexandre Lima

Alexandre Lima, de Brasiléia/Acre

Mesmo após os pedidos feitos pelo governo do Acre, o ingresso de centenas de imigrantes no Brasil pela cidade de Assis Brasil (Acre), que faz fronteira do o Peru, ainda é uma constante. Nos últimos dias, centenas entraram mesmo com a cheia do rio Acre assolando as cidades da fronteira com o Peru.

Foi flagrado por muitos, o comércio de barqueiros que optaram em transportar os imigrantes de uma cidade para outra, desde que pagassem taxas que variavam de 10 à 20 reais por pessoa. Com esse lucro fácil, era bem melhor do que ajudar pessoas de sua cidade.

Espera para atendimento no interior do prédio - Foto: Alexandre Lima
Espera para atendimento no interior do prédio – Foto: Alexandre Lima

Passado os dias, o ingresso se normalizou, ao ponto de acumular imigrantes aos montes pela cidade de Epitaciolândia. Muitos sem dinheiro, se juntam em qualquer lugar próximo à sede da Polícia Federal, esperando dar entrada no serviço de imigração e ter licença para ir atrás do sonho de uma vida melhor.

Durante a semana, a chegada reduz para grupos de até 20 imigrantes. Maioria são do Haiti ou do Senegal. O problema fica para o final de semana, quando a delegacia da Polícia Federal fecha os trabalhos de imigração no final do expediente de sexta-feira, daí, tem de esperar por dois dias ao menos.

Com pouco dinheiro, muitos ficam sem poder tomar banho ou ter uma refeição digna. Alguns optam até em continuar a viajem a pé até Rio Branco, capital do Acre, distante cerca de 240km das fronteira com Epitaciolândia por já não ter mais para pagar o taxi ou o ônibus. Para outros, até o gesto de pedir dinheiro, se torna uma prática comum pelas ruas.

A cena flagrada, mostra centenas de malas espalhadas pelas calçadas, aja visto que a fronteira não possui mais um abrigo a espera dos imigrantes, desativado após quase quatro anos. Para muitos dos moradores, a situação em que se encontra o Brasil, principalmente o estado do Acre, deveria ser visto com bons olhos pelas autoridades, além de dividir opiniões.

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