Marina Silva fala em entrevista exclusiva à Folha, em Brasília – Foto: Sérgio Lima/Folhapress
Marina Silva fala em entrevista exclusiva à Folha, em Brasília – Foto: Sérgio Lima/Folhapress

Folha de São Paulo

O PSB vai elaborar uma carta interna com os compromissos eleitorais do partido para ser assinada por Marina Silva antes que a ex-senadora seja nomeada candidata à Presidência da República, na quarta-feira (20).

O presidente nacional da legenda, Roberto Amaral, nomeou uma comissão para produzir o texto, que conta com a deputada federal Luiza Erundina (SP) e a senadora Lídice da Mata (BA).

Segundo pessebistas, o documento trará “as expectativas do partido nesse novo momento eleitoral”.

Marina Silva

Marina Silva fala em entrevista exclusiva à Folha, em Brasília

A carta deve ficar pronta até terça-feira (19) e será submetida à direção nacional do PSB antes de ser enviada a Marina.

“Vamos elaborar uma carta para retomar os compromissos originais e, quem sabe, incluir novas ideias”, disse Luiza Erundina à Folha.

Questionada sobre quais ideias seriam essas, a deputada disse que ainda não tem detalhes sobre o conteúdo do texto.

Segundo Erundina, a primeira reunião da comissão deve acontecer somente domingo (17), em Recife, após o enterro do presidenciável Eduardo Campos, que morreu na quarta-feira (13) em um acidente de avião em Santos (SP).

Erundina e diversas lideranças do PSB viajam à capital de Pernambuco para as cerimônias fúnebres e também para as tratativas que decidirão o futuro da chapa. Além da carta de compromisso, o PSB precisa definir um nome para a vaga de vice de Marina Silva. O deputado Beto Albuquerque (RS) é o mais cotado para o cargo.

CANDIDATA

O PSB superou as divergências internas e selou acordo para lançar Marina Silva à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. Ela concordou com a inversão da chapa e deverá ser anunciada oficialmente na próxima quarta. O novo presidente da sigla, Roberto Amaral, prometeu a Marina que ela não precisará permanecer no partido caso seja eleita.

O PSB agora discutirá a indicação do novo vice na chapa presidencial. O deputado gaúcho Beto Albuquerque, hoje candidato ao Senado, é o mais cotado para a vaga.

Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) decretou luto oficial de três dias e afirmou que o acidente “tirou a vida de um jovem político promissor”. Também presidenciável, Aécio Neves (PSDB) disse ter perdido um amigo.

Marina declarou que guardará dele a imagem de “alegria” e “sonhos”. Campos morreu num 13 de agosto, mesmo dia da morte do avô, o também ex-governador Miguel Arraes (1916-2005). Campos deixa mulher, Renata Campos, e cinco filhos, o mais novo nascido em janeiro. “Não estava no script”, disse Renata.

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ACIDENTE

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Henrique Accioly Campos, 49, morreu na quarta (13) em acidente aéreo em Santos, litoral paulista, onde cumpriria agenda de campanha. O jato Cessna 560 XL, prefixo PR-AFA, partira do Rio e caiu em área residencial.

Dois pilotos e quatro assessores também morreram, e sete pessoas em solo ficaram feridas. Os restos mortais removidos do local do acidente chegaram na noite de quarta na unidade do IML (Instituto Médico Legal) na rua Teodoro Sampaio, no bairro Pinheiros, em São Paulo. A Aeronáutica investiga a queda.

Governador de Pernambuco por dois mandatos, ministro na gestão Lula, presidente do PSB e ex-deputado federal, Campos estava em terceiro lugar na corrida ao Planalto, com 8% no Datafolha. Conciliador, era considerado um expoente da nova geração da política.

 

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