IstoÉ se baseia em números de ONG que audita os parlamentares brasileiros

O Acre voltou à páginas da chamada grande imprensa nacional, numa grande revista de circulação em todo país, a IstoÉ Independente. Só que, desta vez, por uma ação nada edificante: a revista mostra que a deputada federal Jéssica Sales (MDB-AC) foi uma das parlamentares dos 513 que compõem a Câmara Federal que gastou, entre outras coisas, dinheiro público com combustível o suficiente para dar uma volta ao mundo.

De acordo com a revista, a deputada acreana é uma recordista na área, quase imbatível. Ela apresentou duas notas mostrando gastos com 2,4 mil litros em derivados de petróleo. Na primeira nota, expedida no dia 1º de fevereiro, ela gastou R$ 5,8 mil com 580 litros de gasolina e 660 litros de diesel. Na segunda, apresentou novamente um recibo de R$ 5,8 mil, que pagou 460 litros de gasolina e 745 litros de diesel. “Em um período de um mês, a parlamentar informa ter gasto combustível suficiente para rodar cerca de 12 mil quilômetros com gasolina e 14 mil quilômetros com diesel. Daria para Jéssica ir e voltar a Nova York (EUA) duas vezes”, diz a reportagem.

Em matéria de gastos com combustível, a parlamentar acreana não está sozinha. De acordo com a IstoÉ, no primeiro mês da atual legislatura, alguns parlamentares usaram e abusaram da cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), o chamado “cotão”. Cada deputado recebe um salário de R$ 33,7 mil que deveria ser suficiente para custear suas despesas. Mas, além disso, eles têm direito a uma verba que varia de Estado para Estado, conforme a distância para Brasília. Um deputado do Acre pode gastar até R$ 44 mil. Um deputado do Distrito Federal, até R$ 30 mil. Basta a apresentação da nota fiscal. Assim, os deputados usam desse limite para bancar despesas estritamente pessoais, como cursos de inglês, bebida alcoólica e barra de chocolate.

A falta de fiscalização em relação aos gastos e de prestação de contas faz com que, além de combustível, deputados gastem dinheiro público em farras como a aquisição de chocolate importado, paguem cursos de inglês particular e até com bebidas alcoólicas. De acordo com a reportagem, o deputado que tem seu curso de inglês custeado pelo contribuinte é o vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (MDB-RS), com mensalidade de R$ 1,4 mil. “A escola de alto padrão está localizada em um complexo hoteleiro de Brasília, que já hospedou, entre outros, o beatle Paul McCartney. Durante o no de 2019, Darcísio já torrou R$ 20,9 mil do cotão” – diz a revista.

A revista escora sua reportagem em dados da ONG Operação Política Supervisionada, que acompanha as despesas dos parlamentares. Os números mostram que, mente neste início de 2019, a Câmara já gastou R$ 9,2 milhões com o ressarcimento dos parlamentares, segundo os dados tabulados. O deputado que mais se utilizou dos recursos até o momento foi Célio Silveira (PSDB-GO). Ele, sozinho, gastou R$ 72 mil. Destes valores, R$ 30 mil apenas com assessoria jurídica e mais R$ 30 mil com ações de marketing e gerenciamento de redes sociais. No caso de Célio Silveira, também houve o pagamento de R$ 5,6 mil em combustível. Um desatino.

Os combustível gasto por Jéssica Sales totalizam 2,4 mil litros em derivados de petróleo mas há outras despesas que também chama a atenção pelo abuso. O deputado Charles Evangelista (PSL-MG), por exemplo, a despeito de seu partido defender o que chama de “nova política, pagou numa loja do free shopdo Aeroporto de Brasília R$ 27,90 por uma barra de chocolate importado de 325g. “Não teve dúvida: passou a nota para a Câmara pagar. O cotão pode ser usado para o pagamento de despesas alimentares, mas uma barra de chocolate importado equivale ao famoso gasto do então ministro do Esporte Orlando Silva, que comprou uma tapioca com cartão corporativo”, disse a revista.

O deputado a gastar dinheiro com bebida alcoólica foi João Marcelo Souza (MDB-MA). Ele pagou pelo menos uma dose de saquê, uma espécie de cachaça japonesa, com dinheiro da Câmara Federal.

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