“O reflexo será nas urnas, não tenho dúvidas disso. Podem até reeleger o prefeito da capital, mas com certeza não voltarão ao poder em 2018”

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), Rosana Nascimento, avalia que o PT não voltará ao poder em 2018. Ela faz um balanço das contradições do governo, que incha a folha com cargos comissionados, mas diz não ter dinheiro sequer para repor a inflação nos salários de trabalhadores que ganham R$ 600. Nascimento diz ainda que “a categoria está doente” e credita, ao grupo do governador Tião Viana, o esfacelamento da Frente Popular.

Ela liderou a mais longa greve da história acreana (65 dias) e, aliada a outros sindicalistas, anunciou outro movimento paredista, desta feita contra cortes de salários, o que, segunda ela, caracteriza descaso e perseguição. “Os professores do Acre darão o troco nas urnas. Será uma resposta à precarização da educação e saúde”, ameaçando uma nova greve antes do inicio do ano letivo.

Rosana Nascimento, presidente do Sinteac
Rosana Nascimento, presidente do Sinteac

Quanto aos argumentos palacianos de que não existem recursos, alegando a crise econômica, Nascimento contrapõe expondo aquilo que o petismo tinha como dogma: a propalada inversão de prioridades. “Prioridade é manter uma legião de apadrinhados em cargos comissionados? É pagar pensão para ex-governadores? É investir o dobro em mídia do que em segurança? É enriquecer empresários sanguessugas? É destinar milhões do orçamento para a Casa Civil e o Gabinete da vice-governadora?”, detona a líder sindical.

O respeito que os professores tinham pela Frente Popular acabou, evaporou. Resta um sentimento de muito pesar e uma decepção enorme

À frente do Sinteac e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a ativista admite alguns erros. “Fui ingênua em pensar que o PT pudesse representar os trabalhadores. Trata-se de uma legenda degenerada que vendeu a sua alma para o diabo”, sentencia ela, ressaltando que jamais vai trair a classe a qual representa. “A missão do sindicalista é apenas uma: defender a categoria, diz”.

Depois de realizar um congresso na semana passada Rosana, faz um balanço da sua administração, para quem é positiva, mas volta esclarecer alguns assuntos que o governo estadual, por ter um poder midiática maior, tenta confundir a opinião pública. “O governador pode até tentar, mas somos uma categoria unida e politizada”, enfatizou a líder sindical. Vejam os principais tópicos:

Decidimos, em Assembleia, que o ano letivo de 2016 não vai começar. A valorização do professor e dos funcionários de escola sempre foi um caos.

A intransigência do governo

“O governo já está numa estratégia baixa, danosa e covarde. Diz que só teria condições de nos garantir algum ganho real em 2017. Nós sabemos que é mentira. Nós sabemos que há recursos e condições para atender ás nossas reivindicações. Mas nós não vamos aceitar isso. Os trabalhadores estão ainda mais indignados. Um servidor de escola recebe, no Acre, hoje, em torno de R$ 600,00. A maioria tem empréstimos bancários a pagar e tem outras obrigações fixas como alimentação, luz, água, aluguel, etc. A nossa categoria está doente. Após os 45 anos, um professor ou qualquer outro profissional pagar muito mais caro pela sua medicação”

Consequências

“Nós avaliamos que o governo do Acre quer castigar a nossa gestão, a “Garra e Luta”. Eles se sentiram afrontados. Nós deixamos o governo do PT desgastado. O PT virou chacota nas redes sociais, como se não bastasse toda a rejeição do PT em nível nacional. Nós não quisemos enfraquecer governos, mas o fizemos por força de uma luta que devia ser encampada. A greve foi uma obrigação nossa diante da insensatez do senhor Tião Viana e seus comandados. Nós merecemos ser valorizados. É nosso direito ter reajuste na nossa data-base. Nem mesmo a reposição inflacionária nos é dada. Infelizmente, a prioridade são os cargos comissionados. Disseram que no dia 16, no ato contra o Impeachment, havia mais de 10 mil comissionados do Acre nas ruas balançando a bandeira do PT para defenderem seus empregos”.

Nós fomos flexíveis ao extremo. Até aceitamos parcelamentos em 2016 e 2017. Aceitamos até 50% da VDP aos professores em 2015. Mas eles disseram não pra tudo

A diferença

“A educação tem feito a diferença. E fará muita diferença nas eleições, pode ter certeza. O ano letivo não vai começar. Médicos e demais trabalhadores em saúde também devem parar suas atividades. Como presidente da CUT no Acre, tenho acompanhado as negociações é um fracasso. Isso deve ser colocado na conta do governo, que se mantém intransigente e diz não ter dinheiro para melhorar os salários de quem ganha tão pouco. Essas categorias chegaram ao limite. Esse governo não tem habilidade política para mediar conflitos e gerir uma negociação com os funcionários. Desde 2011, a maioria das categorias tenta negociar. Racharam a Frente Popular. Esse grupo político está fragmentado, perdeu a credibilidade da população. O reflexo será nas urnas, não tenho dúvidas disso. Podem até reeleger o prefeito da capital, mas com certeza não voltarão ao poder em 2018”.

Comissionados e concursados

“É incrível como eles dão um jeito de pagar, todo mês, mais de R$ 1 milhão com cargos comissionados, mas não têm a sensibilidade de chamar os concursados, que deveriam estar trabalhando no lugar dos apadrinhados políticos que só incham a folha de pagamento”

É incrível como eles dão um jeito de pagar, todo mês, mais de R$ 1 milhão com cargos comissionados, mas não têm a sensibilidade de chamar os concursados

Decepção coletiva

Nós fomos flexíveis ao extremo. Até aceitamos parcelamentos em 2016 e 2017. Aceitamos até 50% da VDP aos professores em 2015. Mas eles disseram não pra tudo. Deu no que deu. O respeito que os professores tinham pela Frente Popular acabou, evaporou. Resta um sentimento de muito pesar e uma decepção enorme. Foi uma implicância política. Eles sentirão uma consequência desastrosa. Pode esperar.

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A greve continua

Decidimos, em Assembleia, que o ano letivo de 2016 não vai começar. A valorização do professor e dos funcionários de escola sempre foi um caos. Mas a sociedade está despertando para esse problema. Vejam bem: o recomendável é que cada professor tenha 20 alunos por professor. Assim, nós teríamos um nível de aprendizado diferente. É um absurdo, é sobre-humano, um professor ser obrigado a lidar com até 50 alunos na mesma turma. Nosso piso salarial não é digno de sobrevivência.

Com informações da Assessoria do Sinteac

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