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Sete em cada dez brasileiros conhecem alguém que morreu de Covid-19

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A pedido da CNN, cientistas fizeram levantamento e apontam que, estatisticamente, ainda é possível afirmar que quase 25% dos brasileiros perderam alguém próximo

Lílian Cunha, colaboração para a CNN

O Brasil está próximo de alcançar a marca de 400 mil mortos por Covid-19.

A sensação de que a morte invadiu nossas vidas, nossas casas e parece beliscar nossos calcanhares é palpável – e real. Se em 2020, para uma parte da população a pandemia parecia concentrada em bairros da periferia ou em uma faixa etária mais alta, após termos cruzado a barreira de mais de 3 mil falecimentos diários a percepção de que a morte nos espreita se intensificou.

Um pai, uma mãe, um parente, amigo, vizinho ou conhecido. Sogro da sua prima. Amiga de sua avó. Filho. Ex-colega de classe ou de trabalho. Marido. A chance de você conhecer alguém que morreu de Covid-19 é alta. Exatamente 67,97%, considerando a população do Brasil (211 milhões de habitantes) e que cada indivíduo conheça em média 600 pessoas.

Ou seja, sete em cada dez brasileiros sabem de alguma vítima fatal da Covid em seu círculo de relacionamentos. O número é maior ainda – 77% – se levarmos em conta apenas a população adulta, os brasileiros maiores de 18 anos  (163,981 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE).

Foi a esse número que chegaram Ricardo Takahashi, professor titular do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisador da área de epidemiologia matemática; Leandro Russovski Tessler, físico e professor da Universidade Estadual de Campinas; Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e coordenador na Rede de Análise Covid-19; e Régis Varão, professor doutor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp.

A pedido da CNN, esses cientistas calcularam qual a probabilidade de cada brasileiro conhecer uma vítima da pandemia. Para que o cálculo fosse possível, foi necessário estipular quantas pessoas o brasileiro conhece. O problema é que não existem estudos que mapeiem isso nacionalmente. Por isso, levamos em conta uma estimativa feita pela especialista em estatística, Tian Zheng, da Universidade de Colúmbia, nos EUA. Segundo ela, cada americano tem, em média, 600 conhecidos – e aí entram não apenas amigos e familiares, mas colegas de trabalho, vizinhos, pessoas que você conhece, mas de quem talvez não lembre o nome.

“Pode até ser que o brasileiro conheça mais que 600 pessoas. Mas muita gente vai dizer que conhece bem menos e outros, bem mais”, pondera o físico Leandro Tessler – afinal, trata-se de uma média.

Assim, levamos em conta também outro número: 150. Conhecido como “número de Dunbar”, ele foi estipulado, na década de 1990, pelo antropólogo inglês Robin Dunbar, da Universidade de Oxford. Dunbar calculou que o ser humano (independentemente de sua nacionalidade) tem capacidade de manter uma rede de amizades composta, em média, por 150 pessoas. Nesse seleto conjunto estão seus amigos (os distantes e os mais chegados, pessoas que você sabe o nome e que, provavelmente, estão em sua lista de contatos no celular). E toda sua família. Algumas pesquisas mostraram que, no Brasil, os parentes são pouco mais de 50% dos laços de amizade – talvez porque as famílias sejam grandes.

Estatisticamente, quando o círculo de relacionamento fica mais estreito, a chance de se conhecer uma pessoa morta pela Covid é menor, porém ainda bem significativa: 24,77%. Ou seja, um em cada quatro brasileiros tiveram uma perda próxima provocada pela pandemia. Uma perda mais dolorosa.

 

cresce em todo o país, esses percentuais ganham mais corpo. “O número tende a ser cada vez mais verdadeiro. A chance de você conhecer alguém morto pela doença aumenta todo dia.”

Claro que isso varia também conforme a idade, a região, a classe social, a profissão da pessoa, diz o professor Takahashi. “Uma pessoa em São Paulo ou em Manaus vai ter mais vítimas conhecidas que alguém que trabalha isolado, no campo, em Goiás”, explica.

Cada um e todos nós

Enquanto a estimativa numérica varia de acordo com diferentes fatores, o que não muda é esse sentimento de que estamos cercados de dor e morte. A arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) decidiu, em junho do ano passado, fazer um mapa da Covid na cidade de São Paulo.

Com base no código postal de pessoas internadas e falecidas, ela identificou, por meio do LabCidade, um laboratório dedicado a estudar o espaço público e direito à cidade, onde a doença estava aparecendo e matando mais. “O problema é que o Ministério da Saúde considerou que o CEP das pessoas era informação pessoal e proibiu a divulgação do mapa”, conta ela.

O mapeamento continua sendo feito, embora não seja divulgado. “No começo, a gente achava que as periferias eram mais atingidas, com suas moradias e condições mais precárias para o isolamento”, diz. Com o recrudescimento da pandemia e a consolidação dos dados, Rolnik viu que o cenário mudou – e chegou a duas conclusões que não esperava: não existe lugar na capital paulistana, por menor ou mais isolado que seja, onde a Covid não tenha feito estragos. “A doença está por toda a cidade. Inteiramente.”

É por isso que, estatisticamente, 73,1% dos paulistanos conhecem alguém que morreu. Quando se restringe a familiares e amigos, o percentual é de 27,98%. (Os dados usados na reportagem sobre mortes em cidades são referentes a 27 de abril e reportados pelas secretarias municipais de saúde.)

A doença, contudo, não atinge a cidade homogeneamente. Há manchas onde ela é mais grave que em outros lugares. Essas manchas não estão divididas, como se chegou a pensar, entre áreas onde moram os mais pobres e os mais ricos. Mesmo dentro de um mesmo bairro, seja ele de classe A, C ou D, existem locais de maior e menor incidência. O que explica isso?

“A circulação de pessoas. Onde há mais trânsito de pessoas, há mais casos. E os locais de maior trânsito são estações de metrô, pontos, corredores e terminais de ônibus”, explica a urbanista. É por isso que, segundo os dados do LabCidade, o bairro mais atingido pela doença atualmente na capital é Santa Cecília – região de classe média alta, com várias estações de metrô e terminais de ônibus.

“Sem diminuir a exposição das pessoas no transporte público, com mais ônibus, mais vagões e menos lotação, o combate ao vírus não vai ter sucesso. Medidas ‘classemediacêntricas’, como o trabalho em casa, só são possíveis para 30% das ocupações. E não geram o impacto que precisamos”, diz Rolnik.

Manaus, o caso mais grave

Essa displicência com medidas de distanciamento social no transporte público – e em outros espaços em geral – também acontece em outras cidades. E assim o vírus vai se espalhando e fazendo vítimas.

Manaus, por exemplo: a capital amazonense, com 2,02 milhões de habitantes, é a cidade com a maior média de pessoas que pelas estatísticas conhecem mortos pelo coronavírus: 92,59%.

Ou seja, dificilmente alguém na cidade cuja gravidade serviu de motivação para a abertura da CPI da Pandemia não ouviu falar de alguém que tenha morrido. No círculo mais fechado, a situação é estarrecedora: quase metade (47,82%) dos manauaras perdeu um amigo ou familiar.

Olhando para outras capitais, Cuiabá vem em seguida: 91.94% conhecem vítimas fatais (e 46,73% dos moradores perderam amigos ou familiares).

Os altos percentuais, porém, não estão restritos a capitais. Com uma população de 465 mil habitantes, São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, chama atenção. Lá, assim como em Manaus, nove em cada dez pessoas conhecem, estatisticamente, pessoas mortas pelo vírus (91,18%). No círculo mais próximo, são 45,50%.

Era o que faltava?

Ou seja: a pandemia está generalizada e as mortes, também. “Minha prima perdeu o pai para Covid há poucos dias. Ele foi cremado e o velório foi uma cerimônia com apenas dois parentes, atrás de um vidro e, do outro, oito caixões. Oito pessoas sendo veladas juntas, coletivamente, por falta de espaço. Essa é uma cena que não vai se apagar da memória dela e nem da minha”, diz Flávia Ávila, especialista em economia comportamental e presidente da InBehavior Lab, empresa especializada em usar a ciência para criar estratégias, intervenções e políticas públicas.

Flávia mora em Brasília onde 78,47% das pessoas conhecem algum falecido pela pandemia (e 31,88% tem maior familiaridade com vítimas). O momento é triste, mas segundo ela, toda essa matemática da Covid, mostrando qual a proximidade das pessoas com a morte, pode ter um efeito positivo. Pelo ponto de vista da economia comportamental que, muito simplificadamente, estuda como as pessoas tomam suas decisões, o sofrimento que a Covid causa pode funcionar como um “atalho mental”, evocado pelo ser humano na hora de tomar decisões, como evitar aglomerações, usar máscara.

“Toda vez que você precisa decidir algo, seu cérebro puxa por lembranças que ajudem na tomada de decisão. Ter parentes ou conhecidos que morreram é uma memória forte e pode modificar comportamentos”, explica Flávia. “Até agora, as pessoas estavam pensando assim: ‘ah, depois de um ano, se não peguei até agora, não preciso mudar nada, está tudo bem’”, diz. Isso é o que a economia comportamental chama de viés da confirmação: a pessoa procura na realidade dela elementos que comprovem o que ela pensa.

A realidade é implacável e nada está tão bem quanto antes parecia para alguns. Se você tem a sorte de ainda não ter tido alguém próximo que a Covid levou, certamente sabe de alguém que se contaminou, que ficou internado. “Imagine que você tenha um grupo de 150 amigos, então a chance de que ninguém tenha tido Covid é 0,003%. Muito baixa”, calculou Régis Varão, professor doutor do Instituto de Matemática da Unicamp.

Anestesia ou empatia 

Mas por que precisamos chegar a esse ponto extremo para vislumbrar alguma mudança? “É difícil saber. E também é dificílimo estimar o que esse trauma todo, esse luto vai provocar na sociedade”, afirma Flávia. O certo, de acordo com ela, é que haverá consequências sociais. Mesmo que muita gente ainda não tenha sentido esse sofrimento, a dor de quem teve essa proximidade com a perda é forte e não vai se diluir. Nem na sociedade, nem no indivíduo.

A reação a esse momento tão grave, obviamente, não é uníssona. Para Vera Paiva, professora titular no Departamento de Psicologia Social do Instituto de Psicologia da USP, há pessoas e grupos que, profundamente sensibilizados pela dor do próximo, se mobilizam e agem para oferecer conforto e apoio. “Gosto de pensar que a maior parte dos brasileiros é pela vida, pela solidariedade. Foram essas pessoas, por exemplo, que pressionaram e conseguiram colocar o direito à vida na Constituição, só para citar um grande exemplo.”

Já uma outra parcela da sociedade está dessensibilizada, contaminada com o que ela chama de “cultura da morte”. “É a cultura que existe desde os tempos do escravagismo, da ditadura e que vem ganhando força em alguns setores nos últimos anos, com a banalização da morte provocada pela violência urbana ou, recentemente, pelo vírus”, diz a especialista.

São pessoas que, segundo ela, gostam de se colocar no lugar de Deus para decidir quem vive e quem morre: se quem morre são os velhos, os fracos, os pobres, os negros, tudo bem. Para esse grupo, banalizar a morte e menosprezar os direitos humanos é a regra. É um comportamento social bem mais grave e tóxico que o negacionismo, ela diz.

Negar o problema é a forma mais leve e irresponsável de lidar com a perda. Por um tempo, a negação é aceitável e normal. Mas quando se torna um modo de vida, é patológico e arriscado. Ainda mais numa pandemia. “Ao negar a realidade, a pessoa não sente a necessidade de se responsabilizar”, diz  o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, mestre em  psicologia clínica pela Pontificia Universidad Católica de Chile.

O luto como companhia

O que o Brasil e o mundo estão vivendo com a pandemia é uma situação inédita neste século e no anterior, na opinião dele, não comparável sequer ao período das grandes guerras. “Havia mortes, mas não havia a informação da morte tão disponível quanto temos hoje”, afirma Amaral. A percepção de que a morte está à espreita por si só é capaz de gerar luto. A falta de abraços, do convívio social, do contato próximo com outras pessoas. Tudo isso também colabora para um sentimento muito próximo ao do luto.

E cada um tem uma forma bem individual de lidar com isso. “A experiência do luto é tão pessoal quanto a impressão digital de cada um. Não existe uma cartilha para lidar com ele”, diz o psicólogo. O caminho mais saudável para quem vive a dor da perda de uma pessoa amada, de alguém mais distante, ou simplesmente a angústia desses dias é aceitar o que aconteceu e conversar sobre isso.

Externar os sentimentos e falar da dor, do medo, da raiva e da saudade. Escoar os sentimentos em forma de palavras, seja conversando com alguém de confiança presencialmente, se for possível, ou de forma virtual. E até mesmo escrevendo num papel, como num diário. “Transferir os sentimentos para a palavra, de certo modo, esvazia o peso da dor e não deixa que as emoções se acumulem.”

Olhar para o outro também ajuda. “Tenho muitos pacientes que perderam familiares e amigos para a Covid e que me relatam que ajudar os outros é algo que auxilia a aplacar essa dor”, conta o também psicólogo Wilson Montiel. Para ele, mesmo vivendo seu próprio pesadelo de dor e perda, romper essa bolha dolorosa para ajudar alguém – seja uma pessoa conhecida ou um desconhecido na rua passando fome – “gera outro sentimento, com grande potencial para aplacar o luto: a gratidão”.

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Pandemia faz aumentar profissionais em tecnologia e diminuir em mídia

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Firjan divulgou mapeamento da indústria criativa

Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O número de profissionais que atuam no setor da indústria criativa no Brasil cresceu 11,7% de 2017 para 2020, com distribuição desigual entre as áreas. Enquanto em consumo o número de vínculos empregatícios subiu 20% e em tecnologia aumentou 12,8%, em cultura houve queda de 7,2% e em mídia diminuiu 10,7%.

Os dados estão na sétima edição do Mapeamento da Indústria Criativa, divulgada hoje (5) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O levantamento mostra que o país tem hoje 935 mil profissionais criativos com empregos formais, sendo 47% deles na área de consumo, 37,5% em tecnologia, 9,1% em mídia e 6,4% em cultura.

A Firjan divide a indústria criativa em cultura – que inclui expressões culturais, artes cênicas, música, patrimônio e artes; tecnologia, com tecnologia da informação e comunicação (TIC), biotecnologia e pesquisa e desenvolvimento, a área de consumo – que abrange publicidade e marketing, design, arquitetura e moda; e mídia, que se refere aos segmentos editorial e audiovisual.

A primeira edição do levantamento é de 2008 e a periodicidade era bianual, mas a entidade decidiu atrasar um ano o levantamento para incluir 2020, reunindo informações sobre como a pandemia de covid-19 afetou o setor. A fonte do estudo é o Ministério do Trabalho e Previdência.

As principais quedas no vínculo empregatício do setor, de 2017 para 2020, foram nas artes cênicas (-26,6%), patrimônio e artes (-20,6%), moda (-16,9%) e editorial (-14,4%). Os aumentos mais expressivos no mesmo período ocorreram em publicidade & marketing (48,2%), biotecnologia (22,7%), TIC (18,5%) e expressões culturais (7,8%).

Por estado, os maiores mercados da indústria criativa continuam com São Paulo, que soma 380,4 mil vínculos, e o Rio de Janeiro, com 95,7 mil. Na área da cultura, se destacam os estados do Norte e do Nordeste na quantidade de profissionais no setor:

Paraíba (13,6%); Bahia (12,2%); Piauí (11,8%); Alagoas (11,4%); Acre (11,0%) e Rio Grande do Norte (10,6%) lideram o ranking de participação de profissionais na área cultural.

Segundo a Firjan, a participação da indústria criativa no Produto Interno Bruto (PIB) passou de 2,61% em 2017 para 2,91% em 2020, com um total de R$ 217,4 bilhões, percentual recorde na série histórica, iniciada em 2004. O valor se compara à produção da construção civil e ultrapassa a extração mineral.

Pandemia

O vice-presidente da Firjan, Leonardo Edde, destaca que as mudanças refletem os novos modelos de negócio e hábitos de consumo, com a expansão da tecnologia na pandemia e a consequente necessidade da transformação digital de empresas de todos os segmentos, bem como a reestruturação do setor de mídia, que alterou as formas de produção, disseminação e consumo de conteúdo.

“As produções criativas nos ajudaram a encarar os dias difíceis de pandemia e a manter a saúde mental no isolamento. O problema é que nós apenas consumimos, mas não geramos mais dessa riqueza em razão do isolamento e de outras barreiras físicas geradas pela pandemia. Ou seja: aumentou o consumo e caiu a produção cultural”, diz.

A pesquisa destaca que o cenário no fim do primeiro ano da pandemia era de 14,8 milhões de desempregados no país, o que correspondia a 14,7% da população economicamente ativa, incluindo 31% dos jovens.

De acordo com o estudo, a remuneração média dos profissionais do setor criativos, de R$6.926,00 em 2020, era 2,37 vezes maior do que a remuneração média do trabalhador brasileiro, que estava em R$2.924,00. Em 2017, essa diferença era de 2,45 vezes.

A gerente de ambientes de inovação da Firjan, Julia Zardo, destaca que as mudanças de paradigma vivenciadas durante a pandemia foram incorporadas e convivem com os antigos.

“Esses paradigmas coexistem e a gente está criando novos. Como o analógico vai conviver com o tecnológico, essas experiências vão ser ressignificadas. O presencial e o digital, o ser humano tem usado as novas tecnologias de informação e de comunicação, mas depois de dois anos usando, a gente lembrou que o ser humano é um bicho social e precisa ir para a rua, se encontrar”.

Julia destaca o aumento das vendas online, que subiram 785% em faturamento nos cinco primeiros meses de 2022, na comparação com o período pré-pandemia. Apenas São Paulo registrou 924 mil pedidos no e-commerce de janeiro a maio, seguido oe Rio de Janeiro, com 331 mil, e Santa Catarina, com 279 mil.

“A gente tem uma pesquisa da Firjan do ano passado com as indústrias, mostrando muitas mudanças no seu processo produtivo e de vendas. Em torno de 80% disseram que não iriam voltar ao que era antes, que eles gostaram das mudanças e vão continuar mudando cada vez mais”, diz Julia.

Análise temática

Esta edição do mapeamento trouxe quatro análises temáticas. Edde explica que em Soft Power e desenvolvimento com base na cultura e identidade dos territórios”, o levantamento indica o potencial que o Brasil tem para usar sua imagem e influência afim  estimular negócios e gerar desenvolvimento.

“A gente está trabalhando para trazer de volta o potencial positivo do Soft Power brasileiro. É um país que, nos estudos internacionais, apresenta índices positivos relacionados a um país festeiro, um povo amigável, receptivo. O Brasil tem uma familiaridade muito grande no mundo”.

Ele destaca, porém, que também há uma imagem internacional negativa do Brasil, que precisa ser revertida.

“Essas referências, como o jeitinho brasileiro, a malandragem carioca, contribuem para esse Soft Power reverso, que traz uma imagem negativa ao empresariado, que é uma imagem de corrupção, malandragem, jeitinho nos negócios e serviços e por aí vai. Claro, existe a realidade do que acontece, como existe em qualquer lugar do mundo, mas precisamos entender e trabalhar o nosso Soft Power de maneira positiva.”

As outras análises especiais são Definições e Fronteiras da Economia Criativa,  que propõe uma discussão sobre o que é Economia Criativa – Desafios à valoração de intangível nas Indústrias Criativas, para tratar do papel central que os ativos intangíveis vêm ganhando em uma economia cada vez mais digital; e Aspectos da Proteção da Propriedade Intelectual”, que discute a venda de cópias e o licenciamento de direitos autorais

O estudo completo está disponível no site https://www.firjan.com.br/EconomiaCriativa.

Centro de referência audiovisual

A apresentação do estudo ocorre junto com o lançamento da Escola Firjan Senai Sesi Laranjeiras, que será um centro de referência no setor de audiovisual do estado do Rio. Serão ofertados no local, na Rua Ipiranga número 75, cursos técnicos como Produção de Áudio e Vídeo, Desenvolvedor de Conteúdo de Youtube e Computação Gráfica.

A estrutura conta com laboratórios de figurino, captura de movimento, colorimetria, workstation e de fabricação digital, com impressoras 3D e máquinas de corte a laser. Edde destaca que a escola se alinha às mudanças estruturais que atingem a indústria criativa.

“Existe uma tendência muito forte de digitalização do setor, e a nossa escola vem para atender essa necessidade e inserir no mercado mais profissionais com todos os tipos de qualificaçãoespecialmente neste momento em que as produções foram retomadas e estão a pleno vapor”.

Mais informações no site www.firjansenai.com.br/audiovisual.

Edição: Graça Adjuto

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Publicada lei que amplia prazo de compensação por eventos cancelados

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Rio de Janeiro – A Cidade do Samba vazia e interditada, às vésperas do Carnaval 2021, que teve o desfile das escolas de samba cancelado devido à pandemia da Covid-19. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Presidente vetou extensão da lei para futuras emergências sanitárias

Até o fim de 2023, o consumidor de serviços e eventos culturais e de turismo adiados ou cancelados por causa da pandemia de covid-19 poderá receber crédito para compras futuras ou remarcar a data. A ampliação do prazo consta da Lei 14.390/2022, publicada hoje (5) no Diário Oficial da União.

Aprovada no início de junho pelo Senado e originária da Medida Provisória 1.101/2022, a lei estabelece que o consumidor que pedir o crédito de serviço ou evento adiado ou cancelado até 31 de dezembro de 2022 poderá usá-lo até 31 de dezembro de 2023. Caso opte pela remarcação da data, a data limite será a mesma. As regras também valem para novos eventos que vierem a ser cancelados no novo período, ainda que mais de uma vez.

O reembolso, estabeleceu a lei, só deve ser pago ao consumidor caso a empresa não consiga assegurar a remarcação dos serviços, eventos ou reservas adiados ou cancelados. A obrigação também vale para quem não conseguir remarcar O mesmo ocorrerá quando a empresa não conseguir oferecer crédito para a compra de outros serviços do mesmo prestador.

A devolução do dinheiro, no entanto, terá prazos distintos. Os reembolsos para os cancelamentos ocorridos em 2021 precisarão ser feitos até 31 de dezembro deste ano. Os cancelamentos de 2022 precisarão ser ressarcidos até 31 de dezembro de 2023.

O presidente Jair Bolsonaro vetou parágrafo que estendia o período de aplicação das regras especiais de compensação a futuras emergências de saúde pública. Na mensagem de veto, o Palácio do Planalto alegou que o texto aprovado pelo Congresso contraria o interesse público, uma vez que as medidas emergenciais adotadas durante a pandemia de Covid-19 foram específicas para o enfrentamento daquela enfermidade.

Edição: Nádia Franco

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Justiça do Rio envia ao STJ análise de delação envolvendo governador

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Petições de Claudio Castro e ex-delegado pedem anulação do acordo

Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeir

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu enviar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) as petições do governador Cláudio Castro e do ex-delegado Mario Jamil Chadud, que pedem a anulação do acordo de delação premiada de Bruno Campos Selem.

A votação no Órgão Especial ocorreu ontem (4) e foi decidida por ampla maioria, com 18 desembargadores reconhecendo incompetência para julgamento das duas petições criminais.

A decisão sobre a anulação do acordo teve votação iniciada no dia 23 de maio, quando a relatora, desembargadora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo, votou pela rejeição dos pedidos. Mas houve pedido de vistas e o processo foi adiado.

As petições de Castro e Chadud questionam a transparência, fidelidade e voluntariedade da delação, já que o depoimento de Selem não foi gravado em vídeo. O delator foi preso em julho de 2019, na Operação Catarata. A investigação mostrou um esquema de corrupção na Fundação Leão XIII, instituição que oferece serviços, como tratamento oftalmológico, à população de baixa renda.

Claudio Castro, que era vice-governador na época da operação, não era investigado inicialmente, mas foi apontado por Selem como um dos beneficiários de propinas pagas por empresas que venciam licitações para atendimento assistencial pela fundação.

Defesa

Em nota, o advogado de defesa do governador, Marco Luchione, considerou que a decisão do Órgão Especial foi acertada.

“A defesa de Cláudio Castro diz que a decisão foi acertada, em razão de recente precedente do Supremo Tribunal Federal que entende ser o STJ o foro do governador Claudio Castro, havendo inclusive agravo nesse sentido, já com parecer favorável do ministro César Salomão”.

Luchione ressalta que alguns desembargadores do Órgão Especial do STJ já votaram pela nulidade da delação de Bruno Selem.

“Acredita a defesa que na Corte Superior também será deferida, tendo em vista que carece de formalidades legais, contendo vícios insanáveis, além de não ter qualquer prova de corroboração de seu difamante conteúdo”.

O Superior Tribunal de Justiça informou que não comenta decisões de outros tribunais e que “o mérito de eventual recurso será analisado oportunamente pelos julgadores”.

Edição: Graça Adjuto

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