Telexfree expõe dados de divulgadores na internet

Boletos de cobrança particulares podiam ser encontrados com busca simples na web; documentos também indicam que, mesmo após bloqueio, cobrança por adesões continua Vitor Sorano – iG ReproduçãoBoleto da Telexfree...

Boletos de cobrança particulares podiam ser encontrados com busca simples na web; documentos também indicam que, mesmo após bloqueio, cobrança por adesões continua

Vitor Sorano – iG

 Reprodução Boleto da Telexfree com cobrança de R$ 3.052,50 por 'assinatura de adesão' e 'kit central de anunciante'
Reprodução
Boleto da Telexfree com cobrança de R$ 3.052,50 por ‘assinatura de adesão’ e ‘kit central de anunciante’

A Telexfree expôs dados de seus divulgadores na internet. Boletos de pagamento com nome, endereço, valor pago e serviços adquiridos da empresa ficaram disponíveis em mecanismos de buscas na internet.

O vazamento também sugere que a empresa, que está impedida de cadastrar novos divulgadores desde junho , continuou a cobrar por adesões.

Procurada na noite desta terça-feira (30), a empresa não comentou a informação. Logo em seguida ao contato da reportagem, entretanto, as consultas já não estavam mais disponíveis.

A consulta dos boletos era possível por meio do endereço “www.telexfree.com/plugins/boleto/boleto_bb.php?codigo=”, ao que era possível chegar por meio de uma busca pelas palavras “boleto cobrança e ympactus” . Ao digitar o endereço, em conjunto com códigos de seis números aleatoriamente escolhidos, o iG teve acesso a dez boletos de cobrança.

Por meio do serviço de internet banking de uma instituição financeira, a reportagem conseguiu checar que os boletos efetivamente poderiam ser pagos.

A falha foi identificada por Manoel Netto, do blog Tecnomundo. Segundo ele, o sistema permitia que qualquer interessado facilmente capturasse dados dos divulgadores da empresa.

A Telexfree informa comercializar pacotes de telefonia via internet (VoIP, na sigla em inglês) por meio de uma rede de revendedores autônomos, chamados de divulgadores. No Brasil, eles são 1 milhão .

Para o Ministério Público do Acre (MP-AC), porém, o negócio é, possivelmente, a maior pirâmide financeira da História do País, pois dependeria das taxas de adesão pagas por esses divulgadores.

Cobrança de adesão

Em cinco dos dez boletos consultados, há a informação expressa de que os pagamentos se referem a “assinatura de adesão” e a compra de “kit central de anunciante”. Os valores cobrados nesses documentos são muito próximos aos dos kits Ad Central Family e Ad Central . Era por meio da aquisição deles que os divulgadores entravam na rede da Telexfree.

Todos os documentos – inclusive esses cinco – têm como data de vencimento o dia 30 de julho de 2013. Desde 18 de junho, a Telexfree está proibida pela Justiça de cadastrar novos divulgadores e de fazer pagamentos.

Os boletos não permitem saber, entretanto, se esses divulgadores entraram para a empresa antes ou depois de18 de junho.

O Ministério Público do Acre não comentou a informação na noite desta terça-feira (30).

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