Uma tomografia computadorizada do gêmeo parasita encontrado dentro do abdômen da mulher. Imagem: Kumar et al. (BMJ Case Reports)

Uma jovem na Índia, sem saber, viveu com uma das condições médicas mais raras e perturbadoras por quase duas décadas, dizem seus médicos. De acordo com um relatório de caso desta semana, a mulher tinha um saco contendo seu “gêmeo” ainda em crescimento alojado em seu abdômen por 17 anos. O gêmeo tinha cabelos, dentes e até mesmo uma espinha dorsal.

Formalmente conhecido como “fetus in fetu” (ou “gêmeo parasita”), acredita-se que essa condição acontece quando um gêmeo fetal é envolvido pelo outro muito cedo na gravidez. O feto não desenvolve seu próprio sistema nervoso e cérebro, mas ainda é capaz de viver. E sustenta-se através de seu irmão, tornando-se essencialmente um parasita. Outra teoria sustenta que o segundo “feto” é na verdade uma forma complexa de tumor chamado teratoma; esses tumores podem desenvolver diferentes tipos de tecidos de uma só vez, incluindo cabelos e dentes.

Independentemente de como a condição aconteça, geralmente termina em aborto, devido à falta de nutrição disponível para o feto intacto. Mas mesmo quando alguém sobrevive, a condição geralmente é detectada rapidamente logo após o nascimento ou no início da infância. Antes deste caso, de acordo com os médicos da mulher, havia apenas outros sete casos relatados de adultos vivendo com um gêmeo fetal. E até agora, todos eram homens.

O caso da da mulher, detalhado por seus médicos no BMJ Case Reports, começou cinco anos antes de ela visitá-los. Foi quando ela e sua família notaram pela primeira vez que ela tinha um nódulo duro e deformado ao redor do abdômen. Nos cinco anos seguintes, o caroço cresceu gradualmente e causou dores periódicas. Quando a jovem de 17 anos visitou os médicos, ela não conseguia comer muito pois se sentia cheia rapidamente, provavelmente porque o caroço começou a pressionar seus órgãos internos.

O tumor “gêmeo” retirado do corpo da menina. Foto: Kumar et al. (BMJ Case Reports)

No exame físico inicial, a suspeita era de que o nódulo era um tumor. E, de certa forma, era. Mas quando os médicos fizeram uma tomografia do nódulo, eles encontraram depósitos de cálcio que pareciam ter “a forma de vértebras, costelas e ossos longos”, e a verdade terrível finalmente foi descoberta. Os médicos então foram trabalhar para removê-lo.

De acordo com o relatório, o conteúdo do tumor “consistia em pelos, ossos maduros e outras partes do corpo”. Essas partes do corpo incluíam “múltiplos dentes e estruturas parecidas com botões embrionários”. Seu tamanho – 36 × 16 × 10 centímetros – também o torna o maior já encontrado em um caso de gêmeo parasita em um adulto.

Felizmente, com a perda da massa, a mulher teve uma recuperação rápida e sem incidentes, e após dois anos ela continua bem.

“Estou me sentindo muito bem e meu abdômen está agora liso e meus pais também estão muito felizes”, escreveu ela em como uma perspectiva de paciente incluída no relatório.

Em um final inquietante para essa estranha história, os médicos não conseguiram extrair o último traço celular do “gêmeo” da paciente. Portanto, ainda há uma chance remota de que algumas dessas células possam se comportar como um câncer e ficar fora de controle. Para atenuar esse risco, os médicos disseram que continuarão observando a menina anualmente.

 

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